Por Marco Aurélio
Campeão Liga Arena 2018
Saudações, jogadores! Depois de um longo período sem escrever nada relacionado a MTG, cá estou novamente para elaborar um Report da Final Liga Arena, evento anual que aconteceu no último domingo (09/02), do qual eu tive a felicidade de ser campeão. Jogar a Final Liga Arena é sempre uma alegria, principalmente por ser um evento marcado pela nostalgia (de tempos onde os jogadores se digladiavam para saber quem seria o campeão semestral) e oportunidade de rever os amigos que o jogo nos proporciona. Particularmente, esse evento significou bastante para mim, já que ultimamente eu ando com pouco tempo para me dedicar ao Magic como eu gostaria, relegando o jogo a alguns domingos.
O formato da final era no mínimo desafiador: SilverBlack Standard no suíço e Draft de Guildas de Ravnica no top 8. A primeira coisa que pensei ao me deparar com esse formato, é que eu queria jogar com algo fora da caixinha. No Standard, existem alguns decks “prontos” que precisam de alguns ajustes, sendo facilmente adaptados (vulgo substituir as raras por outras incomuns/comuns) para o formato da final, mas eu queria mesmo era buildar.
O que eu sabia, era que eu queria usar Song of Freyalise por achar a carta muito fora da curva. Meus testes se resumiram a várias partidas no modo “solo” para sentir o deck e perceber que algumas opções precisariam ser descartadas. Comecei com várias versões de B/G baseadas no Standard, mas faltavam elementos que somente as raras/míticas poderiam oferecer. Por fim, cheguei em uma lista que me agradou muito, o G/W Tokens.
G/W Freyalise-Tokens-Convoke
Silverblack - Marco Aurélio - Campeão Liga Arena 2019 | |
| 4 Canção de Freyalise 4 Flor // Florescer 4 Migração das Saprófitas 4 Companheiros Jurados 4 Enxame dos Esporos 3 Tribunal do Conclave 2 Orgulho dos Conquistadores (25 Outras Mágicas) 4 Elfos de Llanowar 4 Shanna, Legado de Sisay 2 Saprastor de Yavimaya 2 Campeão Ledev 2 Colosso da Anima Mundi (14 Criaturas) | 4 Memorial à Glória 5 Planície 12 Floresta (23 Terrenos) Sideboard: 2 Brontodonte Destruidor 3 Égua das Lianas 3 Cavaleira do Conclave 3 Opor Resistência 2 Fim Desconcertante 1 Tribunal do Conclave 1 Dossel Esmagador |
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| Créditos: Wizards of the Coast |
O plano do deck era bem simples: no G1 fazer a maior quantidade de criaturas possíveis e finalizar com algum efeito que aumente o poder das mesmas, ou com Shanna, Legado de Sisay. O deck tinha jogadas absurdas com Song of Freyalise então parecia ter um match favorável contra qualquer coisa no primeiro game. Pós-sideboard as coisas ficavam um pouco mais complexas, tendo em vista que todos que tivessem acesso, puxariam remoção global contra o deck. Pensando nisso, com o side, o deck adotava uma postura mais midrange, extraindo valor de criaturas maiores como Cavaleira do Conclave, Égua das Lianas e Brontodonte Destruidor . Portanto, era comum sidear de 8 a 10 cartas no segundo jogo para dirimir esse problema.
Em geral, minha preparação para o torneio pode ser resumida em cerca de 20 partidas contra o R/W Aggro do meu irmão no dia anterior ao evento, onde deu pra perceber que o deck estava rodando muito bem. O torneio contou com 16 jogadores, sendo 5 rodadas de suíço com corte para o top 8.
Rodada 1: RW Aggro (Felipe) 1 x 2
Depois de vinte partidas de treino, na primeira rodada enfrento justamente meu irmão. O primeiro jogo foi bem longo, cheio de reviravoltas e terminou com um Campeão Ledev dominando a mesa para o meu lado. No segundo game, fiquei com 2 pontos de vida muito cedo pela combinação de Truefire Captain e Monstrossauro Atacante. Depois de “ultar” uma Canção de Freyalise com 10 tokens e uma Shanna, Legado de Sisay na mesa, não podia atacar pela habilidade do Truefire Captain, o que invariavelmente me levou à derrota. O terceiro jogo foi bem rápido, onde acabei não comprando lands brancos depois de levar Canhonada Ardente em alguns elfos e tokens.
Rodada 2: B/G Explore (Sofia) 2 x 1
No primeiro jogo, acabo fazendo muitas tokens e finalizo a partida rapidamente com Orgulho dos Conquistadores, mas eu sabia que o problema viria pós-side. No segundo game, eu tinha 5 tokens na mesa contra dois Arqueiro da Ponta Envenenada. Sofia resolve um Golden Demise no ascender me dando 10 de dano pelas habilidades dos arqueiros e finalizando a partida com dois ataques. O terceiro jogo foi muito acirrado e depois de eu deixá-la com 2 pontos de vida, levo um Golden Demise que na hora pensei que tinha sido decisivo. Acabo comprando bem enquanto Sofia só compra lands, e consigo finalizar a partida com mais tokens.
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| Créditos: Wizards of the Coast |
Rodada 3: B/G Explore (Luís) 2 x 0
Primeira partida resolvo o plano de Freyalise de maneira bem objetiva, encerrando o game no turno cinco. No segundo game, finalmente o plano de side funcionou e acabei suprimindo os recursos do Luís com Égua das Lianas e Cavaleira do Conclave.
Rodada 4: U/B Control (Lelo) 2 x 0
No primeiro game, imaginei que o Lelo não tivesse remoção global de main deck, então fui o mais “wide” possível, conseguindo fechar o jogo antes que ele estabilizasse, uma vez que Shanna, Legado de Sisay acabou sendo bem difícil de ser tirada da mesa. No jogo dois, abro com alguns elementos swarm, mas com o plano de side na mão. Consigo pressionar o Lelo a ponto de ele ir a 1 de vida e mesmo que ele voltasse de Golden Demise, conseguiria fechar o game já que controlava um Memorial à Glória com lands para ativá-lo, fazendo ele conceder.
Rodada 5: ID (Intentional Draw)
Como já estava garantido para o top 8, dei ID e passei em 4º lugar. O top 8 foi composto, na ordem, por: Pedro, Felipe, Julio, Eu, Aloyr, André, Sofia e Marcão.
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| Créditos: Wizards of the Coast |
Top 8 – Draft de Guildas de Ravnica
Foi sem dúvida o draft mais difícil que já fiz. Meu primeiro pick foi em um Deafening Clareon. Em seguida, a ordem dos picks foi: Etrata, the Silencer, Lava Coil, Hypothesizzle, Hpyothesizzle e Command the Storm. Nesse ponto, sabia que queria fazer um Izzet com splash pra branco, e acabei dando pick em alguns portões para splashar a mágica. No fim, meu deck ficou da seguinte forma:
URw Spells
Draft - Marco Aurélio - Campeão Liga Arena 2019 | |
| 3 Izzet Guildgate 2 Boros Guildgate 6 Mountain 6 Island (17 Terrenos) 1 Maximize Velocity 1 Eletrostatic Field 1 Lava Coil 1 Sure Strike 1 Direct Current 1 Sonic Assault 1 Deafening Clareon 1 Guild Summit 1 Capture Sphere 2 Command the Storm 2 Hypothesizzle 1 Invert // Invent
(18 Outras Mágicas)
| 1 Leapfrog
1 Book Devourer
1 Piston-Fist Cyclops 2 Wee Dragonauts 1 Wishcoin Crab 1 Book Devourer 1 Vedalken Mesmerist 1 Fire Urchin 1 Beamsplitter Mage (10 Criaturas) Cartas notáves do sideboard: 1 Invert // Invent 1 Cosmotronic Wave 1 Fresh-Faced Recruit 1 Ornery Goblin 2 Fearless Halberdier |
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| Créditos: Wizards of the Coast |
Acredito que o deck estava mediano, mas com boas chances contra tudo. Apostei bastante no Invert // Invent para tutorar o Deafening Clareon quando necessário, além de ter uma interação bacana com Vedalken Mesmerist podendo ser uma removal em algumas situações. Por falar em remoção, o deck contava com oito, um número bem alto para os padrões desse limited, embora as criaturas fossem fracas. A princípio, o deck se portava como um midrange, podendo ser mais agressivo pós-sb.
Quartas de Final – UBr (Aloyr) 2 x 1
Devo dizer que só tive partidas difíceis no top 8. Acredito que por ter sido um draft complicado, todos os decks estavam muito parelhos. No primeiro jogo, Aloyr me deixou com duas cartas no grimório devido a um Drowned Secrets. No último turno possível, depois do meu oponente conjurar um Niv-Mizzet, Parun consigo lidar com o dragão e com os bichos flyers e dar letal com meu Wee Dragonauts. Jogo 2 fui millado muito rápido, já que Aloyr resolveu o encantamento no segundo turno. No jogo 3, depois de sidear de forma mais agressiva, consegui colocar bastante pressão na mesa, fechando o jogo com um Sure Strike copiado pelo Beamsplitter Mage.
Semifinal – BG (Pedro) 2 x 1
No primeiro jogo consigo fazer algumas trocas vantajosas, realizando boas tempo-plays, conseguindo letal exato estando com 2 pontos de vida. No segundo jogo fui surrado por um Veiled Shade enquanto nós dois só comprávamos terrenos (mas pra ele isso era bom, porque aumentava mais a sombra). O terceiro game foi uma das partidas de Magic mais bizarras que já tive. Eu mantive uma mão com muitas remoções e Deafening Clareon me fazendo jogar totalmente reativo, com poucas criaturas entre as mágicas compradas. Em uma sequência estranha de acontecimentos, consegui resolver o Clarim em uma board com Izoni, Thousand-Eyed, algumas criaturas e quatro fichas, enquanto o Pedro não tinha muitos lands para ativar a habilidade da lenda. Durante o jogo, ele sacrificou três Golgari Locket e deu muitas draws, comprando o deck inteiro! Eu ganhei essa partida com 2 pontos de vida por deck over. Muito sufoco!
Final – UBr (Julio) 3 x 2
Decidimos que a partida seria melhor de 5, já que não queríamos que a final fosse decidida pelo fator sorte. Combinamos que só poderíamos sidear a partir do jogo 3, como acontece em partidas oficiais em melhor de 5.
O primeiro jogo foi o mais significativo pra mim. Parecia um “reconhecimento de território”. Fizemos jogadas conservadoras para conhecer melhor o deck do outro. Tentei adotar uma postura mais control, mas meu plano tinha sérios problemas: Lotleth Giant. Á medida que várias trocas iam se estabelecendo durante o jogo, chegava um ponto onde Julio conseguia conjurar um gigante para muito dano. E foi assim que o primeiro jogo acabou – um gigante pra 10 de dano, me levando a 1 de vida. Após essa partida eu percebi que precisaria ser o agressor, ou perderia. Como só poderíamos sidear no terceiro jogo, tive que manter o deck do mesmo jeito no segundo jogo. Também fui massacrado nesse game, onde meu oponente criou uma pilha de card advantage e eu só comprava terrenos. Quando eu tentei resolver um Guild Summit que me faria voltar pro jogo, já que eu tinha potencialmente três draws, meu plano foi frustrado por um Devious Cover-Up. A partir do terceiro game, resolvi que minha postura tinha que ser agressiva, então puxei as criaturas fracas, mas que me dariam uma chance pressionando no early game.
O terceiro, quarto e quinto jogo foi diferente. Eu consegui manter pressão nos turnos iniciais abrindo mão de jogadas lentas para tentar ser o mais agressivo possível. A estratégia deu muito certo, me fazendo fechar dois jogos muito apertados. O quinto e derradeiro jogo infelizmente não foi dos melhores, já que Julio floodou muito. Apesar disso, considero uma final à altura do título de campeão anual, já que ficamos mais de uma hora disputando o troféu!
E foi assim que me tornei o campeão da Liga Arena 2018. Agradeço a todos pela parceria e espero poder ter dias no MTG tão legais como foi esse domingo. Até a próxima!






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