quinta-feira, 21 de junho de 2018

Limitado – to play or not to play?

Por Francisco Ferreira
Equipe Liga Arena


Não é incomum encontrar jogadores que não gostam do formato limitado. Apesar de ser praticamente unânime a opinião de que abrir pacotinhos é muito massa, jogar algumas rodadas (ou um final de semana inteiro) se limitando às cartas que vêm dentro deles – mais lands básicas – parece um pouco maçante para um percentual razoável da comunidade do Magic.

A ideia aqui é discutir por que sim, por que não, e quando infelizmente você deve jogar drafts e selados, mesmo contra sua preferência pessoal. A discussão a seguir têm como embasamento a experiência do formato limitado no papel, e não nas plataformas digitais (no entanto alguns servem para ambos).


Não jogo porque é caro:



Esse é um argumento válido se você for um jogador estritamente de um ou mais dos seguintes formatos construídos: pauper, modern, legacy e vintage. Nesses casos, é muito difícil que você abra cartas que iria comprar de qualquer maneira. Caso você jogue standard, brawl, e até mesmo commander (principalmente commander), a chance é razoável de que seu draft se pague, nem que seja com aquelas 3 raras que seriam difíceis de monetizar vendendo, mas se fosse compra-las, pagaria nelas o mesmo valor da inscrição.

Sim, há aqueles drafts que você paga 50+ reais para jogar, e mesmo que se divirta muito durante a experiência, a carta mais cara que draftou tem um texto logo abaixo da ilustração que diz “Terreno Básico – Ilha”. Se você drafta com frequência, vai descobrir que isso pode acontecer muitas vezes. E se isso acontece na primeira vez em que alguém joga um draft com os amigos, convencido pelo argumento de “é fácil o draft se pagar com as cartas que abre”, pode afastar alguém para sempre do formato. No entanto, capitalizar num draft não é nada incomum. As cartas caras estão ali na coleção, você não vai abri-las todo o tempo, mas pagar o draft com o valor das cartas que abriu é bem comum, e abrir uma carta que vale 3-4 vezes a taxa de inscrição é uma possibilidade real.

Créditos: Wizards of the Coast.


Não jogo porque é só sorte:



Talvez o argumento mais forte para desgostar do formato limitado, o famoso “çó çorte” afasta muitas pessoas das mesas de draft. De fato, não é divertido ver seu oponente ganhando por castar UMA bomba, que por sorte ele abriu em sua pool*, que ganha o jogo sozinha, mas isso é a exceção do andamento de uma partida de limitado. Na maioria dos jogos vemos disputas de atrito, onde os jogadores precisam retirar o máximo dos seus recursos, tomando decisões muito menos óbvias do que o usual jogo de Magic com decks construídos. Até porque os designs das edições, há muito tempo, vêm sendo preparados para jogar drafts e selados, de forma que em um torneio de deck selado é quase impossível que um jogador não tenha pelo menos uma carta na pool para responder à uma ameaça específica, por mais poderosa que ela seja. E no fim do dia, os resultados de uma partida de limitado são muito mais influenciados tecnicamente pela curva** do deck e pela boa construção de sua base de mana, do que por uma carta considerada bomba no formato.


Por que jogar?



Avaliação das cartas: o advento da internet contribui para que cada vez mais pensem por nós, e no Magic não é diferente. Listas de decks construídos vão sendo lapidadas, até que chega o ápice da temporada, e as listas estão lá, em suas versões incólumes, basta copiá-las e entender seu funcionamento. No entanto, quando você quer se utilizar de uma tecnologia diferenciada, e surpreender os oponentes, a habilidade de avaliar as cartas válidas num formato se mostra bem útil, e quando você já as viu em funcionamento algumas vezes é mais fácil saber onde garimpar. Além do que perde-se muito menos tempo ranqueando-as em playtests quando a diferença de poder entre elas, mesmo que seja pequena, está clara para você.

Atalhos mentais: no limitado, a todo momento, você faz escolhas entre qual será a 23ª spell do seu deck, ou se você pode jogar com 16 lands, cujo limiar de decisão é muito, MUITO mais estreito do que decidir qual será sua 15ª carta do seu sideboard. É claro que tomar esse tipo de decisão pela primeira vez (e eventualmente elas surgirão) exige um esforço mental maior do que das vezes subsequentes. Tendo em vista que a evolução do jogador de Magic depende da criação de atalhos mentais para decisões corriqueiras, a fim dedicar a mente à decisões mais complexas, é interessante que se comece logo a encarar situações dos mais diversos tipos, e a experiência no limitado contribui muito para isso.

Torneios: a Wizards faz dinheiro com a venda de pacotes, logo é natural que ela fomente um formato onde os jogadores tenham que abri-los. Portanto, se você almeja jogar Magic competitivamente, jogar limitado ou não deixa de ser uma opção, e passa a ser uma necessidade. Todo Pro Tour dos dias de hoje tem sua porção limitada, PPTQs limited acontecem com grande frequência, e GPs limited são muito comuns no Brasil. Ignorar essa parte do Magic é como cortar pelo meio suas chances de ser bem-sucedido no ambiente competitivo.

Diversão: não poderia deixar de dizer que jogar drafts, selados, e principalmente pre-releases é simplesmente divertido. Mas é um argumento raso, visto que é muito óbvio pra quem gosta, e uma inverdade para quem não gosta.

No mais, desejo muita sorte para quem está iniciando no mundo dos formatos limitados, e que encarem cada partida como um aprendizado novo. Com certeza muitas surpresas e interações inesperadas entre as “piores” cartas de uma edição pegarão você desprevenido.

Créditos: Wizards of the Coast.

E para quem é veterano do limited, que abram espaço em suas mesas de draft para novos jogadores. Jogar limited é um grande passo para o jogador inexperiente, e com certeza um dos mais importantes para que ele evolua no jogo. Vamos incentivar essa prática, passando adiante os ensinamentos, por mais básicos que eles possam parecer.







*Pool: conjunto das cartas que poderão ser utilizadas para montar um deck no formato limitado.
**Curva: distribuição dos custos das mágicas do deck.

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