quinta-feira, 28 de junho de 2018

A Evolução do Modern e o que Esperar do GP São Paulo 2018.

Por Pedro Henrique

Olá pessoal meu nome é Pedro Henrique e esse é apenas o meu segundo artigo aqui no blog, jogo Magic desde 2002 na época do bloco de investida, mas só entrei no cenário competitivo em 2012. Desde de então tenho voltado a minha atenção principalmente para o formato Modern tanto por afinidade pelo formato quanto pela disponibilidade que tenho para jogar torneios aqui na Liga Arena.

Do dia 6 a 8 de julho acontece o maior evento de Magic em terras tupiniquins, o GP São Paulo, único GP do ano no Brasil o que só deixa o evento ainda mais esperado. Assim como no ano passado o formato do evento principal será o moderno, o que é um atrativo a mais para mim. Nesse artigo vou falar um pouco sobre a evolução e estado atual do metagame do Modern e o que eu espero encontrar no evento.

Nos últimos tempos o formato sofreu grandes mudanças, desbans esperados e inesperados, surgimentos de novos deck e alternância constante nos tiers 1 do formato. A primeira mudança de nota para se entender o formato atual são os banimentos do Trol de Túmulo Golgari e Sonda Gitaxiana em janeiro do ano passado. O primeiro voltou para a lista de banidas depois de um desban errôneo e desnecessário em minha opinião, o que diminuiu muito a força do Dredge que por alguns meses estava dominando o formato. Já o segundo fez vários jogadores deixarem de lado o Infect que também era considerado um deck problemático além de acabar com rei do formato na época Death's Shadow Aggro já que a interação que a Sonda tinha com a Sombra da Morte, Tornar Imenso aliada com a informação que sonda fornecia não poderia ser substituída.



Também em janeiro tivemos o lançamento de Revolta do Éter que presenteou o Modern com Empurrão Fatal, a mais nova remoção premium do formato que hoje rivalizam em power level com os consagrados Raio e Caminho para o Exílio. Essa carta teve impacto imediato e a partir de então quando pensamos em criaturas jogáveis temos que lembrar do famoso “Morra para Raio” e também “Morre para Push”. Logo em seguida quem achou que tinha se livrado do absurdo que era uma criatura 5/5 ou até mesmo 12/12 por uma única mana viu o surgimento e ascensão do Jund e Grixis Shadows.


Lista: Brad Nelson – 1º Lugar SCG Baltimore Open – 28/03/17

19 LANDS


16 CREATURES


25 INSTANTS and SORC.


SIDEBOARD





Lista: Josh Utter-Leyton - 1º Lugar – GP Vancouver – 19/02/17

18 LANDS


13 CREATURES


23 INSTANTS and SORC.


6 OTHER SPELLS


SIDEBOARD





Versões que embora não fossem tão explosivas eram muito mais consistentes do que o deck anterior, por alguns meses a versão Grixis foi considerado o bicho papão do formato e já que mais parecia um deck Legacy jogando no formato moderno. Junto com esses dois novos tiers 1 o Eldrazi Tron surgiu formou a tríade que dominou o Modern por vários meses. Vale ressaltar que no meio dessa mistura de criaturas gigantes por custos baixíssimos e eldrazis vindo ao jogo muito antes do esperado nosso grande João Lelis se sagrou campeão do GPSP de 2017 com um deck rogue que poucos conheciam ou estavam preparados para jogar contra: o Bant Coralhem.



Lista: João Lelis – 1º Lugar – GP São Paulo – 13/08/17

23 LANDS


27 CREATURES


7 INSTANTS and SORC.


SIDEBOARD




Um midrage muito consistente que joga com várias criaturas resilientes e que geram valor como Cavaleiro do Relicário e Rastreador Incansável, esse último que é considerado pelo nosso campeão a melhor criatura do jogo :p além do diferencial de possuir um combo que pode matar logo de turno 3 com a interação entre o cavaleiro e a Retirada para Elmo de Coral que gera um atacante com algum tipo de evasão e tão grande quanto o número de terrenos em seu deck.




Pulando para fevereiro desse ano, o formato sofreu o que muitos classificaram na época como a maior mudança desde os banimentos em massa pós Pro Tour Filadélfia no primeiro ano de vida do Modern. Elfo Tranças-de-Sangue e Jace, o Escultor de Mentes foram livres da lista de banidas. A justificativa da Wizards foi que o Modern havia ganho Power Level suficiente para acomodar o icônico Planeswalker que até então nunca tinha visto a luz do dia no formato e que o elfo era uma medida preventiva contra um possível domínio do próprio Jace uma vez que ele é uma resposta muito eficiente a qualquer Planeswalker, inclusive seu par de desbanimento, além de fortalecer os Midrages do formato que estavam a algum tempo esquecidos no metagame. A comoção na comunidade foi enorme, mas no final das contas o Jace que era o mais temido dos dois não teve o impacto esperado e dificilmente é visto em tops 8 de grandes eventos, atualmente ele é até mesmo preterido em algumas listas de Jeskai a mais nova adição do formato: Teferi, Herói de Dominaria. Já o elfo teve um pequeno vislumbre no topo ao levar o Jund a deck mais jogado, contudo esse domínio durou pouco e logo o Jund voltou a ser só mais um deck justo no formato. A verdade é que por mais que eu goste do Modern não há como negar que é um formato degenerado no qual as respostas são muito mais fracas do que o potencial de fazer jogadas roubadas e isso nos levas aos dois decks mais novos do ambiente: Humanos e Hollow One.



O Humanos já existe a algum tempo mas com o lançamento de Ixalan e a impressão do Território não reivindicado e do Pirata de Aeroveleiro o deck ganhou um power level enorme, uma vez que agora conta com 12 terrenos que viram para qualquer cor e mesmo sendo um deck praticamente só de criaturas conta com uma capacidade de disrupção enorme na forma do novo pirata, Mago Interferidor e Thalia, Guardiã de Thraben, além de ser um super agroo capaz de finalizar a partida muito rapidamente. Conjurar uma criatura de três cores como Ginete de Mantídeo no terceiro turno ou até mesmo no segundo com ajuda do Nobre Hierarca é algo quase trivial para esse deck. Outras criaturas como Campeão da Paróquia e Tenente de Thalia tem o potencial de superar rapidamente em tamanho Tarmogoyfs, Eldrazis, Sombras da Morte que até então eram as maiores criaturas do formato. Provavelmente ascensão dos Humanos foi o que derrubou do topo o Grixis Shadow e os Eldrazis a pouco citados.



Lista: Collins Mullen – 1º Lugar – SCG Cincinnati Open – 22/10/17

20 LANDS


36 CREATURES


4 OTHER SPELLS 


SIDEBOARD





Já o Hollow One também é um deck que surgiu com uma impressão recente, o Oco, que dá nome ao deck e cria jogadas tão degeneradas como colocar 4, 8 ou mais de poder nos turnos inicias do jogo em casos excepcionais até mesmo no turno 1. O deck abusa da mecânica de descarte com cartas até então nunca usadas no Modern como: Inquisição Ardente e Sabedoria Goblin. Esse é só um dos ângulos de ataque do deck já que também utiliza a sinergia de descartes com criaturas que voltam do cemitério como: Terror Sanguinário, Fênix do Rastro Flamejante e criaturas enormes com esquadrinhar, como Pescador Gurmag. O deck tem se mostrado muito consistente mesmo com a aleatoriedade dos descartes que utiliza.





Lista: Ken Yukuhiro – 3º/4º PT Rivals of Ixalan – 03/02/18

18 LANDS

1 Arid Mesa
3 Blackcleave Cliffs
3 Blood Crypt
4 Bloodstained Mire
2 Mountain
1 Scalding Tarn
1 Stomping Ground
1 Swamp
2 Wooded Foothills

24 CREATURES

4 Bloodghast
4 Flameblade Adept
4 Flamewake Phoenix
3 Gurmag Angler
4 Hollow One
4 Street Wraith
1 Tasigur, the Golden Fang

18 INSTANTS and SORC.

4 Burning Inquiry
2 Collective Brutality
4 Faithless Looting
4 Goblin Lore
4 Lightning Bolt

SIDEBOARD

2 Ancient Grudge
2 Big Game Hunter
2 Blood Moon
1 Collective Brutality
2 Fatal Push
3 Grim Lavamancer
3 Leyline of the Void





Chegando ao metagame atual acredito que o Humanos e o Hollow One sejam os dois melhores deck do formato, contudo ambiente já começou a se adaptar. Nas últimas semanas vimos o Jeskai voltar ao topo já que conta com um pacote de remoções premium contra o Humanos e tem um jogo descente contra o Oco, com acesso a remoções globais e que exilam com o sempre eficiente Caminho para o Exílio e o recém-chegado Assentar nos Destroços. Outro novo deck que vem se destacando é o Mardu Piromante que em minha opinião toma o lugar do Jund como melhor midrage do Modern, mesmo que o último conte agora com o temido Elfo recém desbanido. Esse é um deck que venho acompanhando a evolução e testando desde seu surgimento e posso dizer que tem um potencial enorme pois tem o mesmo plano de jogo já consagrado pelo Jund mas que consegue “roubar” o oponente já que utiliza Lua Sangrenta de main deck e também possui uma card selection/card advantage na forma de Pilhagem Infiel e Almas Penasdas. O seu late game também extremamente forte já que conta com o pacote insano de Folião do Caos em conjunto com Comando De Kolaghan. Pro Player’s de renome como Gerry Thompson e o brasileiro Thiago Saporito obtiveram ótimos resultados com o deck mostrando que é mais um arquétipo que veio para ficar.



Lista:Gerry Thompson – 2º Lugar – PT Rivals of Ixalan – 03/02/18

20 LANDS

4 Blackcleave Cliffs
2 Blood Crypt
4 Bloodstained Mire
4 Marsh Flats
3 Mountain
1 Sacred Foundry
2 Swamp

8 CREATURES

4 Bedlam Reveler
4 Young Pyromancer

29 INSTANTS and SORC.

2 Collective Brutality
1 Dreadbore
4 Faithless Looting
2 Fatal Push
4 Inquisition of Kozilek
3 Kolaghan's Command
4 Lightning Bolt
4 Lingering Souls
1 Manamorphose
1 Terminate
3 Thoughtseize

3 OTHER SPELLS

2 Blood Moon
1 Liliana of the Veil

SIDEBOARD

1 Anger of the Gods
2 Collective Brutality
1 Fulminator Mage
1 Ghost Quarter
1 Liliana of the Veil
2 Molten Rain
2 Nihil Spellbomb
3 Surgical Extraction
2 Wear / Tear



O Modern é conhecido por ser um formato extremamente diverso e isso nunca foi tão verdade como agora mais de uma dezena de decks podem ser considerados tiers 1 e 2 e outras dezenas de rogues roubam a cena de tempos em tempos. É também um formato em constante mudança, novos decks ou evolução de antigos pipocam a todo tempo em torneio de expressão. É impossível falar de todo o metagame em apenas um artigo, mas acredito que pude dar uma pincelada em alguns dos principais decks e como o ambiente evoluiu para chegar ao o que é hoje.

Finalmente, os principais decks que eu espero encontrar no GPSP e que recomendo levar em conta quando for montar seu Sideboard são: Humanos, Hollow one, Jeskai Control, Affinity, RG Valakut. Mesmo esperando que estes sejam os principais decks do torneio o mais dominante deles não deve chegar a 10% do ambiente, portanto é possível que você jogue as 15 rodadas do torneio sem enfrentar nenhum deles. Daí a importância de montar o seu deck e side de forma a cobrir de forma mais ampla possível o ambiente preferindo cartas que respondam um grande numero de decks a efeitos muito específicas.




Por fim, minha escolha para o torneio deve ser o RG Valakut, um deck que costuma aparecer bem mais aqui no Brasil do que no cenário internacional, talvez porque seja um deck relativamente barato para o formato. Jogo a bastante tempo com ele e já obtive alguns resultados relevantes, minha escolha não se deve ao posicionamento do deck no ambiente, mas sim a minha familiaridade com ele. Acredito que o Mardu Piromante, outro deck que possuo, atualmente é um deck melhor posicionado do que o RG, contudo sei que não possuo a experiencia necessária com esse deck para obter um resultado relevante. Esse talvez seja o maior conselho para o Modern, jogue comum deck que você domine e conheça a mecânica de todos ou pelo menos de todos os tiers 1 e 2 do formato. O Modern é um formato que costuma premiar aqueles com um conhecimento profundo do seu próprio deck e sobre aqueles que você vai enfrentar. Nesse formato acredito que mais importante do que ter talento é ter conhecimento.




Um comentário:

  1. Gostei bastante da sua análise mas acho que faltou falar do Mono G Tron, que é um deck que tem aparecido bastante e feito muito resultado

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