sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Hostilidade Moderna


Bom dia, meus caros amigos da Liga Arena!

Hoje eu vou escrever um artigo que traz um tema salgadinho a tona, e quando digo isso não falo do vocalista do Katinguelê. Isto seria uma coisa boa. Hoje nós vamos falar sobre dinheiro.

(E porra, irmão, tem poucas invenções da humanidade que eu odeio mais do que dinheiro. Tem os smartphones, spinners e o ‘gemidão do zap’, mas bicho, como eu odeio dinheiro.)

“Então porque falar dele? ” – Você me perguntaria.

Porque quase sempre que se fala de Magic para alguém que já está no meio e conhece o ambiente competitivo, este é um assunto que surge. E se o tópico é modern ou legacy, a questão financeira se projeta como uma bala de canhão na direção da conversa. Não dá para negar que o Magic é um jogo elitista e hostil para quem está começando.

Seria uma hipocrisia enorme de qualquer um de nós dizer que jogadores iniciantes vão se divertir no modern competitivo com decks baratos.

E aqui, nesta exata frase, começa uma divisão muito nítida entre os players. A diversão e o competitivo. Há quem use o Magic como investimento, há quem busque bons resultados como jogador profissional de Magic e há quem use o Magic como válvula de escape e entretenimento. Não há certo ou errado nisso, posto que cada um faz o que achar melhor da própria vida. Mas quando pensamos em investir em Magic, este tema é bem nebuloso, embora saibamos que existem muitos players fazendo rios de dinheiro comprando e vendendo Magic. Quando pensamos em Magic competitivo e vemos os pró-players do Channel Fireball jogando, sabemos que neste nicho também reside uma grana insana. Porém, a maior parte das pessoas se concentra em jogar cartinhas pra passar o tempo mesmo, e neste grupo encontramos muitos indivíduos que sofrem bastante pelos atos do dois primeiros. De um lado, o mercado da especulação é “vítima” de quem investe em Magic e certas cartas sambam pra lá e pra cá quando alguém faz um resultado competitivo relevante com ela, (tipo aquele spike idiota do Chanceler do Anexo, por exemplo). Do outro, vemos alguns casuais passando aperto para comprar Caverna das Almas e Frasco do Eter para seu deck tribal.

Mas isso piora quando lembramos que ainda existem umas nuances mistas destas três personas (o investidor, o pro player e o casual player), embora seja difícil fazer uma análise direcionada desses nichos menores.
Diante disso, o que pode ser feito? Dá pra fazer algo pra democratizar o Modern? Dá pra deixar o legacy mais barato? Dá pra segurar essa barra que é gostar de você?

A resposta para essas perguntas é igualmente complexa, mas como diria minha mãe “quem tanta fazer de tudo, quase sempre acaba sem fazer nada direito”, então o que eu tento fazer é ajudar novos players a entenderem o formato e não gastarem dinheiro da forma incorreta. Acredito que com um plano de investimento consistente é possível iniciar no formato com um deck mais budget e ir implementando as partes corretas do deck aos poucos.
Como?

Veja, há alguns padrões chaves que os decks competitivos seguem. Existem decks que fogem do padrão? Certamente que sim, mas a menos que você queira muito jogar com algum desses decks, não aconselho que você comece a construir seu deck budget visando a finalização com uma dessas opções: Tron, Ad Nauseam, Merfolk, Lantern Control, Sun & Moon, Auras.

Porque?

É mais simples do que parece: estes decks têm bases de mana MUITO específicas (lands do Tron, scrylands de Theros, Cavern of Souls, fastlands de Scars of Mirrodin, Glimmervoid, etc). Sempre que você começa um deck budget pensando numa destas vertentes, você vai comprar terrenos que jogam única e somente nestas listas. E terrenos são uma fatia enorme do investimento que você precisa fazer para entrar no modern competitivo. Entretanto, é possível otimizar muito este gasto se você começa jogando de UR Prowess, Monogreen Stompy, GW company, Monored Burn, BW tokens. Porque as lands que eventualmente vão tornar sua lista budget mais consistente são exatamente as mesmas lands que um dia podem ser usadas em Jeskai Control, Jund Midrange, Abzan Counters, Naya Burn, UR Storm, Grixis Death Shadow ou RG Valakut (e perceba que aqui está praticamente toda a parte superior da meta do Modern).

É essencial que você, enquanto deckbuilder iniciante, faça compras pensando em criar pontes para novos decks. Existem coisas do Infect que jogam no Affinity? Sim, existem. Mas comprando cartas como fetchlands de Khans of Tarkir e shocklands de Return to Ravnica você abre muito mais portas do que com Blinkmoth ou Inkmoth Nexus, por exemplo.

E por último, depois que você já tiver uma pool considerável de terrenos, você pode investir nas cartas específicas da lista que você quer usar; sejam elas criaturas com power level alto tipo Tarmogoyf, Dark Confidant e Snapcaster Mage, ou mágicas com efeitos muito relevantes tipo CrypticCommand, Abrupt Decay ou Thoughtseize.

Com isto em mente, fique atento aos reprints e à oferta de cartas no mercado. Procure sempre ter uma planilha das coisas que você pretende comprar, quais os seus preços médios, qual a relevância da aquisição para a sua coleção e procure sempre as promoções das lojas e ofertas dos jogadores.

Assim eu vou gastar menos, Élcio?

É óbvio que não. Isso aqui é Magic, caralho. Você nunca vai gastar menos. HAHAHAHA 

Mas você vai investir com mais consciência. E isso é o que importa.


Espero ter ajudado, amigos! Até a próxima!


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