quinta-feira, 29 de março de 2018

Magic Arena – Primeiras impressões.


Opinião, por Hélio Barbosa*.

Introdução



Achei OK.

A experiência em um só meme:



Fonte do meme - Choque de Cultura, Omelete, YouTube

Mas até que é "legalzinho".


O Bom



O software é relativamente pequeno e funciona até bem para um beta fechado - em minha opinião, melhor que o Magic Online. Tem coisa pra melhorar? Tem. Mas funciona. Algumas coisas são meio esquisitas, outras precisam de melhorias – MAS - pessoalmente, achei mais fácil acostumar com os defeitos do beta fechado do Arena do que acostumar com os defeitos nas versões definitivas do Magic Online (Mol) que vi/testei. O beta está bagunçado, mas é uma bagunça "organizável", fuçando nas configurações.

Aliás, para tirar o elefante quase invisível da sala: o Magic Arena está em beta fechado. Significa dizer que o jogo provavelmente mudará bastante até o lançamento, ou até mesmo no Beta Aberto (para vocês terem uma ideia, eles devem resetar a coleção de todo mundo, de novo, no beta aberto – para testar a economia do jogo). A prioridade é testar e dar feedback. Eles sabem que tem coisa ruim, tem coisa fedendo – mas, nos fóruns, eles mesmos disseram que estão ouvindo o feedback. Agora vamos voltar ao assunto...

Em primeiro lugar, você pode optar por não desligar um sistema que escolhe automaticamente que terrenos virar quando você gasta mana. Desliga isso. Desliga muito isso. Sério. Especialmente se você estiver jogando de Control. O sistema acerta boa parte do tempo, mas ele é “meio noob” – ex. ele não conta com um tutor, ou um reciclar, ou uma habilidade ativada que te deixou sem duas manas azuis abertas para dar aquele Cancelar que vem no top draw, etc. Por enquanto, deixar desligado é o que eu recomendo.

"Mas isso não devia estar no 'ruim'?" Então, não. Porque você pode desligar. Você pode deixar o jogo muito mais simples para o seu sobrinho de 10 anos que quer usar mágica instantânea na fase principal, para a ira dos tios nerds, por exemplo. Você pode até clicar em alguns lugares para forçar pausas em fases específicas do turno. É como se eles soubessem que o Magic pode ser complicado, mas existem opções no programa para deixá-lo mais fluído. Ele vem no modo "casual", mas dá apara arrumar nas opções.

Outro ponto positivo é que o jogo é leve, consegui rodar até no meu PC; que é o equivalente a uma torradeira, que seria ruim na época das Lan House Monkey. Lan House (ou a Monkey) não é da sua época? Meu PC também não é - processador i3 3ª geração – estamos na 9ª; placa de vídeo 9500GT – 10 anos tem essa danada e muita humildade, seguindo orientações do professor, buscando os três pontos. Apesar disso, o jogo flui de maneira aceitável. Acredito que rode até nas versões mais modernas do HD graphics (o gráfico integrado, de quem não tem placa de vídeo, presente até em notebook de loja que faz crediário) sem maiores problemas.

Assim, a expectativa de ter um sistema funcional para jogar limitado (draft, selado) em qualquer laptop desta década, em qualquer lugar, numa interface amigável, é uma expectativa razoável – você não precisa ser “dos games” para jogar Magic Arena.

Quando você instala o jogo, atualmente, você recebe vários decks pré-construídos, quase no estilo “Duel Decks”.  Logo depois de um reset (que coloca todos no mesmo ponto), dá muito pro gasto – o que pode ser mantido se a Wizards investir num sistema de partidas justo, que coloque novato contra novato.

Você pode desbloquear alguns boosters por semana e o sistema de cartas coringa (wildcards, em Inglês) é interessante – você pode usar uma coringa da raridade X para criar qualquer carta da raridade X. Pra compensar isso, temos menos cartas no Booster e já estamos entrando na parte ruim...


O Ruim


Diz que antes de levantarem o acordo de confidencialidade a economia do jogo era melhor. Hoje é ruim. É meio péssima, pra falar a verdade.

Explicando o meme da introdução, quando você quer jogar Magic, você quer jogar Magic (mesmo que seja commander, ou standard) – Harry Potter sem Harry Potter não é Harry Potter, é golpe, nas palavras do pessoal da TV Quase. Alguns arquétipos ficam meio "capengas": "UB sem Gearhulk, sou eu, assim sem vocêeee..."

Ter um “double block”, uns deck pré construído e/ou “meio standard” é esquisito, mas a Wizards foi lá, jogou o que sabe, ouviu feedback e... Fez o contrário – quebrou o jogo e reduziu a frequência das wildcards míticas (eram meio que farmáveis, virou só sorte).

“Ah, mas a Hasbro que é dona da Wizards que é dona do Magic tem que ganhar dinheiro...” Quer dizer que botaram fogo na fábrica da Barbie e não me avisaram? Esse pessoal sempre vai ganhar dinheiro – o problema é que eles precisam crescer, ao infinito e além.


GRATUITO PARA JOGAR
(Imagem, em outro contexto - Pixar, Toy Story)

Além disso, se não tiver loja que compre cartas avultas, não tiver a opção de "dar redeem" na coleção digital para pegar cartas físicas, não poder transformar pixels em dinheiro de algum jeito, um preço "padrão Wizards" não vai se justificar porque, nesse caso, seria melhor gastar dinheiro no MoL, que te possibilita alguma expectativa de retorno de investimento (ou redução de custos) sem ter que jogar eternamente com um deck capenga.

A teoria (na qual acredito) é que o modelo antigo ia dar menos dinheiro, porque dava para montar um deck “padrão standard” facilmente (dizem). Mesmo assim, fui lá, joguei, abri os pacotinhos e dei sorte. Peguei duas coringa míticas e, com outras coringas e os decks pré, montei um UB control com duas Deus Escaravelho... Foi muita sorte, porque até as coringas são difíceis de achar em boosters. Daí o negócio ficou feio.


O feio – “Soh çorte esse tal de médic” Arena



O jogo, no atual estágio, está mais ou menos assim. Dei sorte, tenho um UB control torto com duas "bombas" que são meta. Perco pra aggro? Sim. O problema é que meio que detono com o resto.
O passinho, então, fica assim: mulligan nojento e/ou o cara tá curvando de aggro (Coergir, melhor carta pra decidir esse tipo de coisa) – concede. Nem perde tempo. Outros decks, é só ir lá e fazer meu nome. Porque minha sorte no booster me coloca em posição de vantagem.

"Mas por que não jogar pela diversão em vez de conceder?" Porque o jogo só te deixa evoluir através de vitórias (ou através de dinheiro, futuramente, a beta é 100% free to play).

Você não está exatamente num Happy Hour Liga Arena, trocando ideia com os amigos, dando risada, etc. Você está olhando para uma tela, seja farmando vitórias (aquele free que te custa horas do dia), seja (futuramente) gastando dinheiro para ter uma vantagem real - especialmente se o único método de adquirir coringas míticas for abrindo booster. Jogar contra o deck estranho do seu amigo não interessa porque quase não há interação online, não tem a risada, não tem a zoeira, só correr atrás de vitória.

Eu jogo de Burn. Desde antes de burn chamar burn (ok, nem tanto, mas desde 1998). Eu perco um monte jogando legacy (pelo menos metade das partidas). Mesmo assim, dei bastante risada chamando uma pizza e testando decks, em casa, contra uns decks tier 1/1.5 de um amigo. Fiz X-2. E foi bem legal. No Magic Arena, me peguei fazendo mulligan, dando Duress e concedendo, pra não “perder tempo” e pegar minhas vitórias do dia. (Sim, vou arrumar, certeza que falta um terreno no meu netdeck...). Você não tem a parte social e, na maior parte do tempo, o jogo não te recompensa por jogar. 

Muita gente não percebe, mas, quando você está jogando um jogo grátis com algum elemento PvP, você está trabalhando em troca de diversão. O desenvolvedor precisa de você lá para, para o pagante se divertir. Se você não ganha nunca e vai embora; o potencial pagante vai embora também e não gasta. E é quase nojento, jogar com um deck semi t2 budget contra um cara que teve azar e ficou só no deck pré.

Esse é o problema. Eu vou lá ficar testando coisinhas, mas muito cara que perde pras minhas palhaçadas com um par de Scarab Gods e um “Clone” provavelmente vai fazer outra coisa da vida. No fim, a conta não fecha. Prefiro muito mais gastar cem reais numa carta de Commander, para jogar presencial, com um amigo, do que gastar dez reais no "Magic Casino"... Tá feio, tá errado e se não mudar, vira jogo só pra whale (quem vai gastar centenas ou milhares de dinheiros para abrir decks meta) que faz um dinheiro, depois morre por falta de jogadores.

No atual estado, o jogo te recompensa por montar um Ramunap Red o mais rápido possível e farmar vitórias. E detalhe – depois de algumas vitórias (cinco, acho), o jogo não te dá como recompensa por vitória uma incrível – carta comum aleatória. Imagina enfiar a mão no baú de "lixão" e tirar alguma carta que preste. "Ah, mas teve uma vez que..." em centenas de vezes. Não rola. Pega seu gold, abre o booster de vez enquando e vai embora.

Em tempo, pro “esquema” do Magic Arena, jogar de Ramunap Red é muito melhor – porque bem, não tem lista de banidas - só que UB capenga é muito mais fácil de montar, por causa dos pré-cons (botou as win condition, oito counter, oito remoções, já é UB) – porque ter que criar todos os ramunap, quase todas as raras, Hazoret e mais metade dos Burns não é exatamente fácil – mas ainda é o plano. Se não puder montar nenhum e nem outro, abra pacotes de Hora da Devastação (vem um monte de coisas do Ramunap e do UB, vai que dá uma sorte) e jogue com o melhor Aggro que você conseguir montar, para farmar vitórias. Se você ganha 3 partidas em uma hora com aggro, você conseguirá mais recompensas do que tendo 100% de vitórias de control, ganhando duas partidas por hora (isso é o que acontece em qualquer cardgame que só recompensa vitórias).

E não tem loja online nem liga pra comprar cartas avulsas. Imagina abrir centenas de pacotes para montar um deck standard. Então, dependendo do deck – se for forrado de raras e míticas, por exemplo, até pegar todas as coringas, pode acabar demorando demais (Porque não é como se as raras e míticas simplesmente viessem no booster, sem trocas ou mercado secundário...). No final, de garantido sobra só ficar farmando de aggro, jogando Harry Potter sem Harry Potter...

Mas a Wizards viu o rolo, falou que vai resolver. Vamos ver. Nesse caso, o feio é muito feio – e quando a loja em dinheiro real abrir, vai ficar ainda mais feio se o jogo não mudar bastante.


Conclusão



Beta fechado. Não é para você se divertir como um jogador normal, é pra testar. Se você não tem fetiche em ficar caçando o que tem de bom e o que tem de ruim em sistemas, melhor sair fora, pois geralmente a experiência é ruim por algum motivo. Mas pode (e deveria) melhorar.

Acho injusto a “publicidade negativa” recebida pela Wizards num beta fechado. Por Urza, é um beta fechado! Se não for pra testar as coisas (mesmo as coisas idiotas) agora, vai testar quando? Testaram o ruim e o feio nesse beta, já falaram que vão arrumar. Em outras palavras, chamaram o SAMU, agora é só contar a história no whats, não compartilhar as fotos, dispersar e cuidar da vida.

O software do Magic Arena, assumindo que terá alguma melhora do Beta (porque, né, beta serve pra isso), é bem promissor para jogar formatos limitados, como draft ou selado. O resto é subjetivo. Eu prefiro muito mais gastar uns 100 merréis para jogar formatos questionáveis durante o semestre todo a jogar dinheiro numa eventual roleta de mentirinha, sem mercado secundário, sem nada, apesar da conveniência. No fim – se fosse pra jogar “tipo um standard”, contaria moedinhas e subia a rua pra jogar um peasant, uma liguinha... Mas para jogar um draftão da madruga, depois de terminar com a mina/o mano/x, olha, dou umas quatro estrelas pro software, bom ficar de olho, especialmente se você não gosta do MoL.

Independentemente do que a Wizards fizer, quando sair open beta, principalmente quando tiver limitado, vale baixar o cliente, sofrer com os decks pré (pra acostumar com a interface) e ter lá, como uma opção de software funcional (especialmente se rolar selado – porque “galerê” nunca quer treinar selado, pra jogar torneio zoado que Wizards faz nos GPs Brasil da vida, só porque é terra de Carnaval...).

Software bom, coleção com limitações ruins e uma economia que é a treva (deve melhorar). Se tiver um limited, corrigidos alguns bugs, a quem se interessar, convém olhar isso aí. Essas são as primeiras impressões.

*Hélio perambula pelo Vale do Paraíba e joga de Burn. Só quer a resposta da única pergunta: Quanto você tem de vida? Responde por "o Editor", pode usar o pronome "nós", mesmo que a gente tenha nada que ver com isso.

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