quinta-feira, 4 de maio de 2017

Análise sobre a 1ª Semana do Standard Pós-Amonkhet


Saudações, jogadores! Marco Aurélio de novo, trazendo mais um artigo para vocês. Dessa vez será um artigo bem mais modesto e pontual. Farei uma análise sobre o que rolou na semana #1 do standard pós-Amonkhet! Essa edição que promete muito, mas que ainda precisa superar as sombras de um passado repleto de felinos e veículos. Bom, parte desse problema foi resolvido com o banimento de Guardião Felidar
– o que ao meu ver foi bastante saudável para o formato, já que essa estratégia impedia que decks mais lentos jogassem, obrigando-os a ter no main deck alguma resposta para o combo enquanto sofria com a pressão do Mardu Veículos, a outra grande potência do formato até então. Tentar combater os dois decks parecia tolice, era melhor se juntar a eles, polarizando o formato. Agora podemos pensar em um T2 mais aberto, que permite estratégias midrange e que pode se tapar para desenvolver seu jogo. Pois bem, eu disse que o ambiente permite a aparição de novas estratégias, não que elas serão realmente efetivas. E é da segunda sombra que citei no início desse artigo que precisamos falar: Mardu Veículos ainda é o deck to beat do ambiente. Mas não sejamos tão pessimistas; estamos falando da primeira semana de um formato em que o Mardu dominou quase por completo durante os últimos meses, então é natural que as pessoas fizessem escolhas mais conservadoras para o torneio, já que seguramente o deck é muito forte.

Para ilustrar o que foi mencionado, vamos aos resultados do primeiro grande evento da temporada: O SCG Open Atlanta que teve como campeão o, adivinhem? Mardu Veículos, arquétipo que além de sagrar Andrew Jessup como vencedor em um mirror de Mardus na final, ainda colocou 5 cópias no top 8 do evento! Uma dominância bastante expressiva para esse início de formato. Antes de analisarmos as listas que surgiram no evento, vejamos o metagame breakdown do segundo dia do Open. Foram 116 decks que chegaram ao day 2. 

Seguem os números:


Mardu Vehicles – 28
B/G Delirium – 14
U/R Control – 7
Jeskai Control – 6
G/W Tokens – 6
B/G Aggro – 5
Temur Aetherworks – 4
B/G Energy – 3
Sultai Delirium – 3
G/R Monsters – 3
B/R Eldrazi – 3
G/R Energy – 3
Bant Aetherworks – 3
Sultai Control – 3
U/R Emerge – 3
W/R Humans – 3
B/R Aggro – 2
Jund Delirium – 2
Jund Monsters – 2
Mono-Black Zombies – 1
Mono-Black Aggro – 1
Mono-White Humans – 1
G/R Aetherworks – 1
Temur Dynavolt – 1
Abzan Aggro – 1
Bant Control – 1
B/W Zombies – 1
Abzan Midrange – 1
W/B Midrange – 1
U/W Flash – 1
U/R Thermo-Alchemist – 1
U/G Ramp – 1

Apesar da presença maciça do Mardu Veículos no top 8 do evento, ele representa cerca de 24% dos jogadores que configuraram o day 2. Isso mostra que o evento foi bastante diversificado, já que o segundo deck mais jogado (B/G Delirium) representa o percentual de apenas 12% do field; e a somatória dos outros decks, 64%. 

Vamos à lista vencedora:


Andrew Jessup – 1st Place at Standard Open on 4/29/2017

Mardu Vehicles

Plains
Swamp

Sideboard




Podemos perceber que a lista é bem tradicional, utilizando de poucas inovações de Amonkhet. Ainda assim, cabe ressaltar que Canyon Slough se encaixou perfeitamente na base de mana do Mardu, que antes disso recorria a duais B/R ruins para o deck. Outra adição que obteve um desempenho incrível nesse torneio, foi o card Cut // Ribbons, que além de ser uma remoção para o early game, ainda se transforma em uma kill condition no late game, gerando o mana sink que o Mardu necessita – foram vários os jogos que Andrew ganhou por conta dessa carta. Além dessas pequenas inovações, o segundo colocado do torneio acabou optando por usar Glorybringer ao invés de Archangel Avacyn no Mardu. Por ser um deck com uma pool de cartas muito fortes já antes de Amonkhet, era previsível que o deck compusesse poucas mudanças.
Deixando o Mardu de lado, vamos analisar os outros três decks diferentes que figuraram o top 8 do referido evento:

Zach Stern 4th Place at Standard Open on 4/29/2017

W/R Humans

Plains

Sideboard

4 Needle Spires


O Humans é o tipo de deck que todos já esperavam ao ver os spoilers de Amonkhet. A combinação de Always Watching com a nova mecânica de exaurir, faz com que a habilidade não tenha uma desvantagem, deixando o W/R abusar de criaturas com essa mecânica. Apesar do ótimo resultado de Zach Stern, acredito que essa ainda não seja a versão final do deck. Observando os jogos em que esse deck estava na câmera, acredito que o autor do deck o tenha construído em uma perspectiva muito weenie, puxando, em todos os jogos pós-sideboard, Gideon, Ally of Zendikar e Glorybringer. Talvez uma build focada nessas cartas, apesar de perder um pouco a explosão inicial, seja mais efetiva. Vejamos se esse deck ganha algum upgrade nas mãos dos pró-players no Pro Tour Amonkhet.

Brennan DeCandio 5th Place at Standard Open on 4/29/2017

B/G Delirium

Forest
Swamp

Sideboard


O B/G Delirium é um velho conhecido do formato. Ao contrário do Mardu, esse arquétipo tem bastante espaço para inovações, já que possui alguns slots mutáveis. Não foi isso que Brennan DeCandio escolheu fazer, tendo em vista que a lista é praticamente idêntica ao da temporada anterior. O autor do deck trouxe tímidas alterações, como a inclusão de Manglehorn que é excelente contra Mardu – e já que o deck abusa da estratégia toolbox com Traverse the Ulvenwald, faz sentido utilizar ao menos uma cópia no main deck. Além disso, Brennan utiliza Never // Return como uma evolução de Ruinous Path, uma vez que o fato de exilar uma carta do cemitério torna-se bastante relevante em um standard com Scrapheap Scrounger e Cut // Ribbons como cartas a serem batidas. Acredito que o deck possa se tornar bem melhor do que essa versão do Brennan, com a adição de cartas com reciclar e embalsamar. O tempo dirá se esse arquétipo será forte o suficiente para que os pró-players invistam nele. A minha aposta é que se o Mardu se mantiver como o deck a ser batido, novas versões do Delirium surgirão, já que o B/G é projetado para lidar com o Mardu.

Caleb Scherer 6th Place at Standard Open on 4/29/2017

Mono-Black Aggro

18 Swamp

Sideboard


Deck bastante ousado, para não dizer estranho. Apesar de eu achar o deck fraco de uma forma geral, ao usar cartas com um power level muito baixo como Night Market Lookout, é interessante perceber o potencial de alguns cards de Amonkhet presentes nessa lista. Dread Wanderer se mostrou um excelente drop 1, ajudando na pressão inicial e tendo um bônus de recursividade no late game. Além disso, o infame Bone Picker foi de longe a carta mais surpreendente do deck. Ver o Caleb utilizar  Walking Ballista como um Dark Ritual (X=0) para castar essa carta no turno 1, pode abrir precedentes para outras builds com a carta.
Fugindo um pouco do top 8, gostaria de destacar mais duas listas presentes no torneio:

Zac Caudillo 14th Place at Standard Open on 4/29/2017

B/W Zombies

10 Swamp

Sideboard


Como já citado pelo nosso deckbuilder Aloyr: o esforço que a Wizards tem feito para que um deck de zumbi seja efetivo no standard foi grande, e acredito que essa lista seja a prova de que o deck tem sim potencial para figurar entre os melhores decks do t2. A sinergia entre os zumbis é impressionante – em especial se um Walking Ballista for feito cedo na partida. Acompanhando alguns jogos, senti que o Zombies coloca uma pressão absurda no oponente, e não fosse algumas jogadas duvidosas do piloto do deck, acredito que ele teria se saído melhor no torneio.

Zach Voss 18th Place at Standard Open on 4/29/2017

U/R Emerge

Island

Sideboard


A última lista que evidencio é uma lista antiga com uma alteração pequena, mas que considero extremamente importante para a viabilidade desse tipo de deck. Vendo os jogos do Zach, pude perceber que Reduce // Rubble se encaixou perfeitamente na estratégia do Emerge, sendo suas duas partes úteis no decorrer da partida. A primeira parte ajuda a proteger o deck quando a mesa está feita, barrando as possíveis saídas que o oponente apresentar. E a segunda parte acaba lockando o oponente, principalmente depois da resolução de um Elder Deep-Fiend. Além disso, descartar essa carta com Cathartic Reunion ou Tormenting Voice acaba se tornando sempre uma opção vantajosa. Outro ponto relevante a análise, encontra-se no fato de que o deck possui um side capaz de mudar completamente a forma de jogar, com cartas-chave que acabam com o jogo progressivamente, como Drake Haven e Fevered Visions. Como o Emerge é essencialmente um deck combo, é sempre difícil tentar prever se ele se tornará algo mais presente no formato. Geralmente ele fica à margem, escamoteado, até que aparece de tempos em tempos para surpreender.

Bom pessoal, vou ficando por aqui. Espero que tenha dado para vislumbrar um pouco dos potenciais que Amonkhet pode trazer para o standard de uma forma geral. Não considero a predominância do Mardu nessa primeira semana como algo alarmante para o formato, uma vez que os jogadores optaram por utilizar o deck mais consagrado, ao invés de se arriscarem em mares desconhecidos. Até mais o/




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