quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Falando do BW Midrange (e de Theros)

Não tão breve introdução, anteriormente chamada de nariz de cera...


Hélio Barbosa
O que têm em comum Heliode, Deus do Sol; Hitônia, a Cruel; Ginete Cinzento; Ashiok, Tecedor de Pesadelos; Medomai, o Atemporal e Cérbero do Submundo?

Foram as únicas cartas míticas raras que não apareceram no Top 8 do Pro Tour Theros, esse final de semana. Ashiok ficou de fora do top 8, mas não ficou de fora dos top decks, já que teve jogador que fez 21 pontos na parte T2 do torneio usando Ashiok, mas foi mal nos Drafts.




O que isso quer dizer? Que a lista costumeiramente ingrata – a das raras míticas – no caso de Theros, por enquanto, é boa. Das 15 míticas, apenas 5 são calço de mesa/geladeira, quero dizer, “jogam commander”. E, das outras 10, algumas jogam em grande quantidade nos deck T2, ou seja, tem bastante procura, o que valoriza a box de Theros. (Além das muitas raras vendo jogo).

O pessoal da Wizards estava comentando que Theros, diferente do que rola com outras edições, aparentemente não se limitou a incluir cards nos decks já existentes. Chegou logo chutando a porta, inventando decks novos, ou então reinventando.

O monored do Pro Tour é diferente do monored do SCG. Só pra ilustrar: sexta-feira, eu ainda estava explicando no face que toda vez que você ler uma carta de criatura vermelha com o seguinte template: “1 mana, 2/X, drawback”; se esse drawback for te afetar lá pelo quinto turno ou depois, ignore ou drawback, porque não existe “depois do quinto turno” para o sligh. Morto no sexto, sétimo ou oitavo turno = ainda morto. (E Filhote de Chacal ainda é “owwww”, coisa que o sátiro nunca será.)

No Pro Tour, camarada ativa Nyktos, faz Ash Zealot, desce ativa outro Nyktos com restinho de mana e faz Moteiros Mizzium com Sobrecarga. É monored, mas é outro deck.

No monogreen, pessoas atacam com Polukranos, podem usar Víbora dos Ermos com Sede de Sangue e ativar o monstruoso de Polukranos para matar todas as criaturas do outro lado, causando pontos de dano com toque mortífero. O elemento monogreen está ali, mas “A” hidra é outra.

E tem um deck que usa permanentes com símbolos de mana azul, Mestre das ondas e Thassa, além de várias criaturinhas e Jace. Muitos escreverão sobre como joga. Explicaremos como se mata esse e outros decks. E o meu deck preferido fazendo esse serviço é o do Patrick Chapin/Paul Rietzl, o BW midrange, que é o BW, também de um jeito diferente.


Na intimidade do BW Midrange


BW Midrange – Chapin/Rietzel

4 Sacrário Ateísta
4 Templo do Silêncio
4 Portão da Guilda Ohrzov
1 Mutavault
7 Planícies
6 Pântano


1 Barão Sangrento de Vizkopa
4 Demônio da Profanação
3 Obzedat, Conselho Fantasma
4 Capitão da Jurisdição
2 Coletor de Pecados
4 Soldado do Panteão
1 Elspeth, Campeã do Sol


3 Lâmina da Destruição
4 Queda do Herói
4 Capturar Pensamento
3 Leia os Ossos
1 Chicote de Érebo


1 Barão Sangrento de Vizkopa
1 Devorar a Carne
1 Lâmina da Destruição
1 Elspeth, Campeã do Sol
3 Paladino Demonicida
1 Último Fôlego
2 Zumbi Ceifador de Vidas
1 Cura de Fárica
1 Agulha Medular
2 Coletor de Pecados
1 Contatos no Submundo




Vídeo de Rietzl: http://www.youtube.com/watch?v=Ijo11KIXh2o (Ínício, cerca de 00:42:00 e 01:13:15)

Paul Rietzl ficou em 6º (perdeu nas quartas de final por 3-2, mas fez 2-1) e Chapin ficou em 9º, mas o deck é sangue ruim de trol.

Começando do começo, eu não gostei muito da ideia de dar Cyclonic Rift no mono U devotion. As coisas
voltam – e Master of Waves voltando é chato. Mas eu gostei muito de Capturar pensamento contra devotion. É mais uma remoção, barata e compensa os 2 de vida sem pensar duas vezes.

(E vale pra Llanowar fake, cariátide, elefante, bichos vermelhos, walkers do control, etc. O formato está tão estúpido que qualquer alvo pra thoughtseize é alvo.)

Reparem que no vídeo o Chapin usa capturar pensamento num Bizarro Glaciocáustico. Isso diminui as chances de uma Thassa batendo na sua face. O surfista zona sul + fichas dá para matar, já que os elementais ficam 1/0 quando o mestre morre.

A maneira desse deck jogar é colocar o capitão na mesa, matar/descartar todas as criaturas do oponente e ir atacando. Eventualmente, resolver um Demônio para fazer o oponente sacrificar criaturas e... Ficar atacando com o Capitão. O oponente morre. Tem uma Elspeth e três Obzedat lá para ajudar no serviço, além de outras criaturas.

Soldado do Panteão é o leão da savana bombado, que não só ataca mas também bloqueia. Boa parte do monoblue devotion é multicolorido (apesar do deck ser mono). As fichas do Xenagos são multicoloridas. É uma carta que tem bastante valor na mesa tanto para ataque quanto para defesa por causa da proteção. Até pode ganhar umas vidas. Só vantagem.

Chicote de Érebo, até semana passada, era o melhor “item” de Theros. Talvez ainda seja, só que não é o que está em mais evidência. O tal do lifelink é bom se você estiver cheio de fichas, ou até para puxar um morto de volta do cemitério (e, quem sabe, fazer outra ficha). Fora que Demônio e Obzedat são meio grandes.




Tá bom, mas o que torna esse deck tão especial?


Pra começar, é a falta de “cartas mortas”. Uma carta morta é uma carta que não interage com seu oponente – é a carta que sai correndo do deck na hora do side.

Antigamente, esse tipo de deck sofria com esse problema. “Carta que mata criatura é carta morta contra controle”. Só que Queda do Herói mata planeswalker e o demônio por acaso é uma criatura 6/6 voadora. É A criatura. É raro um deck de controle que não faça nenhuma ficha e não tenha nenhuma Sibila ou Eterídeo para ser alvo de Lâmina da Destruição, então o valor das cartas fica preservado.

Contra os decks entupidos de criaturas, às vezes acho que o Coletor de Pecados fica meio perdido – contra o monoblue pré-side, às vezes é Cyclonic Rift e olhe lá. Mesmo assim é um bicho 2/1. E sinceramente eu fiquei pensando o quanto esse bicho 2/1 não pode ter feito falta no pós-side, já que ambos os decks tiveram problemas com falta de bichos. Fica perdido nada...

Julgando pelos 26 terrenos, Mutavault está ocupando um slot de criatura que é um terreno por causa da Elspeth, para quase zerar a possibilidade de zicar a quantidade de lands e diminuir bem a possibilidade de zicar as cores. Assim, “tipo” mais de 90% de chance dele ter duas brancas no quinto turno. E ele faz a matança sem matar as poucas criaturas que ele tem, colocando um pouco de pressão no oponente.

Esse deck e o Esper tiveram resultados semelhantes, mas eu achei a maneira como esse deck lida com as ameaças mais interessante. Apareceu, mata – sem esperar o quarto turno. Além disso, a probabilidade de zicar de cor é menor. E não ter cartas mortas faz a diferença.

Para quem não quer jogar de hard control, esse deck é a melhor opção, pois teve um resultado tão sólido quanto o Esper (Wafo-Tapa fez 26 pontos no Standard, Rietzl fez 25), só que é mais agressivo. Só lembra de não deixar nada vivo e usar os Capturar Pensamento com sabedoria.

Trocando em miudos, você não precisa tirar metade do deck e colocar metade do side pra jogar contra aquele deck.



Sideboard


Aqui é que as coisas mudam ou não, né verdade? Como eu disse, esse deck tem poucas “cartas mortas” e meio que se vira sem side, pra ser sincero. O problema é que eu acho que tá é faltando coisa no side.

De verdade, sinto falta daquele Vizkopa no deck. O Chapin tem um livro de 40 dólares sobre fazer decks, então ele deve saber mais disso do que eu (ele ganhou vários torneios, mais Magic é çó çorte :p); mas eu morro de vontade de saber o que acontece se arrancar uma planície e tacar um Vizkopa no deck... (Não dá para tirar Pântano por causa do Capturar pensamento; em tese não dá para tirar Planície por causa das criaturas brancas de custo baixo).

Ou - Dá até vontade de colocar a segunda Elspeth, quase imortal. Mas aí não dá para tirar terreno, teríamos que mandar talvez o chicote para o side, ou um Obzedat.

Agora, quanto a mexer no side a conversa é outra. Eu tentaria socar umas Evicção Impiedosa, só para o caso de precisar destruir o indestrutível, se eu mandasse uma criatura para o main deck. Tem alguma coisa nesse monte de um que eu não estou curtindo... (É o Vizkopa que eu quero no main, queria duas Agulha...)

Eu veria aquele Devorar a Carne entrando como “quinta doom blade” no lugar dos Coletor de Pecados, para não mexer na curva. Ou você pode usar Cura de Fárica, se quiser escolher o alvo.

É um side mais do mesmo (remoção, remoção...), só não esquece que você precisa ter criaturas para ganhar o jogo.


Conclusão


Depois de assistir os vídeos do Pro Tour, acho que esse é o deck standard que eu mais gosto. Ele deve ser devidamente tunado essa semana para o GP Louisville, onde o povo jogará com estratégias anti-devoção.

Por ser um deck que se vira bem em qualquer situação, acho uma boa pedida. Não é nada muito extremo e requer um pouco de treino para pegar o jeito (assista o Chapin jogando), mas aparentemente é um deck capaz de bater qualquer outro deck do formato, por não ficar com a mesa vazia em momento nenhum do jogo, estilo “me mata, ficha de sátiro”.

Atualmente, o formato parece caminhar para o seguinte rumo: ou você tem uma mão com remoção rápida e criaturas baratas; ou você está jogando de Esper; ou você deveria muligar/trocar de deck.

Se não tem como uma criatura entrar na mesa no turno 2 ou 3, já era (Tirando esper). Pode ser a mão linda de Urza, é melhor muligar. Isso porque o deck vermelho vai tentar manter o ritmo de sempre, o azul tenta acompanhar e o verde usa uma curva bizarra “você morreu” se você não forçar muito os elfinhos dele (c/nyktos, elfos e Polukranos, gera umas 8 manas no 5º turno).

Esse deck faz a agressão inicial, vai matando os bichos e tem um mid-late game. Quando o formato estabilizar, acredito que teremos uma lista de BW lá no meio, entre os decks competitivos.

Quanto ao splash vermelho, acho que não dá para encaixar mais. O víndice vai deixar o deck mais lento. Ganha-se dreadbore, mas ganha-se também uma bagunça colossal nas manas, fica uma bagunça para usar elspeth, as duas manas pretas do demônio, de Queda do herói (que é instantânea). Duas cores tá bom e tá funcionando.

Agora e esperar o GP e acompanhar os resultados!

PS: Quando estava fazendo revisão do texto, antes de publicar fui dar uma lida no fórum da salvation para ver o que os populares estavam discutindo e olha o que eu acho? Deck tech do Patrick Chapin:


Eu não escrevi coisa errada não, mas vale acrescentar que o Paladino Deminicida é side contra monored sem ser devotion – devotion não precisa de side. Esse texto não é uma tradução da deck tech, nem uma paráfrase, mantive o que eu escrevi antes de assistir. Só incluí essa parte do paladino no finalzinho porque ficou faltando mesmo. E ele usa duas Elspeth contra monogreen e decks que demoram para fazer bichos. E o Cedric não perguntou “26 lands não é tipo land bagarai pra midrange?”


Lendo a discussão na salvation, um cara tirou uma planície e colocou um Coletor de Pecados (aparentemente esperando um meta control) e disse que o deck rodou liso, a 30 fps. E galerê tá morrendo de vontade de colocar outro Vizkopa no maindeck.

Errata: Falei de um "Pro Tour" no final do texto, antes do PS e queria dizer GP.

Na minha terra, Sin Collector um tempo foi 2/2 sabe-se lá porque, mas é 2/1 [(valeu Rafael Matos Mattos, pelo toque) Rafael Mattos é com dois "t"s].


Nenhum comentário:

Postar um comentário