terça-feira, 31 de julho de 2012

Filosofando o Magic: O que vi de M13.



Infelizmente, as escolhas são óbvias, embora as razões por trás de cada escolha não sejam tão óbvias assim. Eu disse num texto que eu ainda não publiquei que o Padrão (ou Standard, pra quem não é fã de Policarpo Quaresma) está parecendo um “bloco estendido” – Innistrad + uma meia dúzia de cartas de outras edições. M13 aparentemente acompanhou a tendência.

Achei o branco a cor mais desastrosa. A ideia é ter um punhado de bichos na mesa, que podem ter Exalted, que podem ser soldados, que podem ser fichas do Ajani. Várias coisinhas, 1/1, 2/2 e 3/3. Combinar os dois temas – enxame de criaturas e exalted – numa cor é um negócio difícil. Nem por isso a gente acha legal, mas aí fica sendo uma questão de gosto.

A cola que deixa isso tudo junto é o anjo mítico que todo mundo tenta gostar – Arcanjo Sublime. Se você tiver um punhado de bichos na mesa e descer o arcanjo, suas criaturas todas ganham Exalted! Quando eu vejo esse tipo de plano, lembro do Coiote, do Desenho do Papa Léguas.

Boa parte do standard é composta de decks vermelhos. Minto. É composto de decks que usam Bonfire of the Damned, que, surpreendentemente, é uma carta vermelha boa. Ela está começando a virar um Jace the Mind Sculptor do fromato, no quesito presença maciça. Em cada esquina, em cada praça, em cada rua, tem um deck vermelho usando a bendita fogueira. Só falta UW delver fazer splash para fogueira, porque o resto...

Daí o branco de M13 vai lá e presume que você vai ter um monte de criaturas. Só depois que M13 for embora do Standard, junto com a fogueira. Ou num universo paralelo, sei lá. Até lá, bonfire of the damned na cara dos gatinhos do Ajani e em quem vier a ter Exalted.

Deixando o standard prá lá, um reprint que achei legal foi Vingador de Serra. Serra não é a do Mar, nem a da Mantiqueira. Serra era uma planeswalker, que tinha um plano, cheio de anjos e tal. Enfim, esse anjo é bem aceito em qualquer White Weenie, porque além de custar pouco, voa e é decente. Na época dos decks de Kithkin, Vingador de Serra era uma das criaturas que voava, mesmo sem ser kithkin. Já vi usarem Vingador em decks modern, também.

(“E o azul? E o azul?” Azul fica pro final, porque teremos spoilers.)

Preto tem um punhado de reimpressões legais, cartas para Commander, vampiros bons, enfim, é uma das cores que dá menos desgosto na hora de abrir boosters. A carta preta que eu mais gostei foi Murder. A carta não é boa que nem Go For the Throat ou Doom Blade, mas mesmo assim gostei dela.

“Destrua a criatura alvo”. E acabou. Custa uma mana a mais, mais acaba com aqueles debates intermináveis sobre quem é melhor. Se custasse dois, seria forte demais. Colocaram a carta no custo 3, com duas manas pretas e uma incolor. Dava para ter feito por duas incolores e uma preta, o que deixaria a carta muito melhor. Enfim, meus olhos casuais gostaram de Murder. Uma carta para enfiar no slot de remoção que mata qualquer coisa que pode ser alvo de mágicas pretas.

Só um comentário que pode não ter nada a ver, mas, como de costume, acho pertinente. Essa carta tem a ilustração mais “do demo” que eu vi no Magic. Porque colocar uma pessoa naquela posição, num trono, morto? Eu vi aquela cena e lembrei-me de “Pietá”, do Michelangelo, só que “espelhada”. A posição do braço, de uma perna, tudo. Para que aprovar uma arte que lembra o Cristo morto?

Tudo bem, liberdade religiosa e artística, mas eu acho que a arte dá margem para discussão desnecessariamente. A turma da tocha e ancinho já vai atrás de “sinais” em tudo. É pouco para tascarem na internet um daqueles vídeos “Prova de que Magic é coisa do demo”. (Eu tenho uma meta, uma teoria da conspiração por crônica). Pode parecer besteira, mas sempre aparece uma mãe querendo que o filho pare de jogar por causa dessas coisas.

A reimpressão que mais me agradou foi Vampiro Falcão-da-Noite. Uma criatura querida pelos fãs, que lava, passa e cozinha. Se a gente for ver que os vampiros tem um lorde que dá iniciativa em Ascenção das Trevas, o Nighthawk vira um pequeno monstrinho.

Vermelho tem Bonfire of the Damned. Em outra edição, mas é o que basta. Para o pessoal que joga com vermelho no padrão não ficar muito perdido, temos o Dragão Avérneo Trovejante no slot de “rara mítica que mata coisinhas”. Criaturas vermelhas normalmente são ruins. Esse dragão, custando cinco, vira todo mundo que o oponente controla e ataca para cinco quando entra em jogo. O dano médio do dragão sobe se você considerar que algumas criaturas não serão bloqueadas. A carta, ainda, pode te dar vantagem se alguma criatura do oponente morrer. Nenhum titã vermelho, nenhum Huntmaster que vira e desvira, mas ainda assim algo decente.

Destei todos os reprints vermelhos. Talvez Fervor seja algo de divertido, mas nem vale a pena destacar. Só para ficar bonitinho: A melhor reimpressão vermelha, que é também multicolorida é Nicol Bolas, Planeswalker. Para quem não sabe, Nicol Bolas é a Rita do multiverso – assim como na novela global, “é tudo culpa da Rita”, no multiverso é tudo cupa do Nicol Bolas. Quebra um prato na casa do Gideon, Jace dá uma canelada na cama ou a chapinha da Chandra para de funcionar: crusada contra Nicol Bolas!

Só para constar, se fizerem um suco artificial de caixinha sabor Nicol Bolas, provavelmente eu e um pessoal provaremos e gostaremos. Mas eu gostei de ver o Nicol Bolas em M13 por outro motivo – é a única carta dourada da edição, a primeira em edições básicas e não faz parte de ciclo nenhum. Achei bem mais legal do que “uma lenda dourada para cada par de cores aliadas” e outras propostas. Finalmente, como diriam os antigos gregos, Nicol Bolas é Nicol Bolas.

Verde teve a reimpressão de Rancor. Só para ser chato vou dizer que minha reimpressão verde favorita foi Arbor Elf, poque ele desvira qualquer floresta, inclusive eventuais shocklands... Outra carta verde que está dando o que falar é Thragueopresa. Ele não precisa morrer para você colocar a ficha de besta. Se ele levar Vapor Snag/Unsummon, você ganha a ficha de besta e pode descer a criatura de novo. Sempre é bom ter criaturas 2 em 1 em tempos de fogueira...

O artefato que eu mais gostei foi o Anel de Kalonia. Os outros anéis são todos bonitinhos, mas um equipamento que custa uma mana para equipar e dá atropelar apara uma criatura é bem interessante. Se a criatura for verde, você ainda ganha marcadores +1/+1. A reimpressão que eu mais gostei foi a de Memorial de Akroma. Custa 7, mas é tão legal... As últimas escolhas foram feitas pelo meu lado casual confesso.

Quanto aos terrenos, a reimpressão de Torre do Relicário foi boa e Catedral da Guerra é bonitinha. Não é nenhum Labirinto Ludibriador, mas mesmo assim muita gente pode acabar sendo feliz com ela. É uma carta que dá para usar, mas não vai mudar o mundo, afinal, não é bom empanturrar-se de terrenos que não adicionam manas coloridas. No Padrão, só para lembrar, temos Kessig Wolf Run, Ghost Quarter, Nephalia Drownyard, Inkmoth Nexus, Gavony Township, Moorland Hound, etc.

Como dito anteriormente, azul ficou para o final porque no parágrafo seguinte teremos spoilers. A carta azul que eu mais gostei foi Talrand, Invocador Celeste. Gostei dele porque ele tem um deck ao seu redor. Ele combina muito bem com as cartas do bloco de SOM que tem mana phyrexiana no custo, como Gut Shot, Mutagenic Growth, Gitaxian Probe, etc. Faça mágicas de graça, coloque dragonetes 2/2 em jogo.

Junto com o “combo” – que te faz pagar um monte de vida – a carta interage com mágicas instantâneas e feitiços, combinando com Delver e Snapcaster. Assim, temos um novo deck de magos: http://sales.starcitygames.com//deckdatabase/displaydeck.php?DeckID=47986 .

A reimpressão azul que eu escolhi para destacar é outro tritão. Na verdade, é quase uma reimpressão funcional de Senhor da Atlântida: Mestre do Tridente Perolado, que, dessa vez, afeta somente os seus tritões. Uma cartinha para o pessoal do Legacy.


Spoiler:

A segunda edição do bloco RTR é Gatecrash (algo como “Quebra no Portão” ou “Portões Quebrados”). Não se sabe ao certo a história, aparentemente “as mina pira”, “quebra” o portão e “invade” o camarim do Jace. Bem, talvez não seja bem isso... Bom, certo mesmo é que a guilda Simic estará sob a liderança de um tritão. Como os líderes das guildas serão representados por lendas representando o par de cores apropriado, temos pelo menos um “tritão verde”.

Aparentemente, Refúgio do Alquimista e Porto do Interior, que começa a dar sinais de utilidade, podem acabar se valorizando. É possível que tenhamos um deck de tritões, usando Rancor. Já estão tentando usar RUG no atual metagame, deck no qual o vermelho entra por causa de Huntmaster, Fogueira, etc: Link .

Como existe uma histeria mundial por causa de tritões, acho uma boa ter Porto do Interior por perto, na gaveta de meias, nem que seja para usar só em fevereiro. Deck de tritão, hoje em dia, é quase igual deck de goblins – mesmo contrariando recomendações, sempre tem um pessoal jogando com eles.

Agora é esperar para ver se alguma coisa acontece com o Metagame do Padrão, mas acho que ficaremos mesmo com:

- Delver;

- Zumbis;

- Huntmaster + Bonfire + ??? = Lucro (RG, Naya, Naya Pod, Ramp, etc.);

Se quiserem saber minha opinião, acho que o padrão pode acabar ficando bem chatinho. Fazer o que? Jogar Commander!


Um comentário:

  1. eu acho que o murder ser 1BB é intencionalmente pra ser menos splashável mesmo... destroi criatura e ponto final tem quer ser no deck preto mesmo, assim como durante longa data "UU counter target spell (and period)" encaixava no deck se ele tivesse uma base azul forte. Só acho que o murder poderia ser BB que não ficaria muito diferente não.

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