quarta-feira, 11 de julho de 2012

Filosofando o Magic – De repente, M13




Por: Tio Hélio

Nariz-de-cera

Deu para notar que a coluna passou por um certo hiato. Ainda passa, enquanto escrevo isso. Basta dizer que tive alguns problemas pessoais. Daqueles que não basta um bom urologista para resolver. Daqueles que dariam um filme cult. Enfim, problemas.

Junte-se aos problemas a minha organização de tempo horripiliante: Lá estava eu, longe do mundo e das pessoas. Eu precisava mesmo dar um tempinho para colocar minha vida nos eixos novamente. Precisava repensar muita, organizar prioridades e voltar a ter uma atitude positiva. Não deu muito certo, fiquei jogando Diablo 3 esse tempo todo.

Até tentei escrever um novo post. Minto, escrevi. Falava sobre a alta do dólar, sobre como não vale a pena parar de jogar nesse cenário, como tudo melhora, desde que você não se dê por vencido. A ladainha toda. Deu para resumir numa frase, que sorte!


Cheguei a uma conclusão: escrevo crônicas. Algumas vezes parecem artigos, noutras são simples posts. Escrevo crônicas. Para você não ter o trabalho de procurar na Wikiepédia: “Há semelhanças entre a crônica e o texto exclusivamente informativo. Assim como o repórter, o cronista se inspira nos acontecimentos diários, que constituem a base da crônica. Entretanto, há elementos que distinguem um texto do outro. Após cercar-se desses acontecimentos diários, o cronista dá-lhes um toque próprio, incluindo em seu texto elementos como ficção, fantasia e criticismo, elementos que o texto essencialmente informativo não contém.”
Minha proposta é voltar com a coisa toda, dessa vez com nome correto. São crônicas sobre Magic. A ideia geral vai ser a mesma, apenas vai deixar de tentar parecer com outras ideias. Bom, vamos encerrar esse que será, talvez, o último nariz-de-cera (sem promessas). Se bobear, numa próxima não tem nem subtítulo.


A primeira vez que eu vi M13


Dia desses, após uma ressaca homérica de Diablo 3 (é um jogo que te dá ressaca, as vezes), fui ver se já tinha saído alguma coisa no spoiler dessa tal “M13”. E não é que tinha saído o spoiler inteiro?
Quanto a gente fica muito tempo sem jogar Magic, a coisa fica meio irreal. Foi a primeira vez que li um spoiler completo sem saber quase nada. E a sensação foi boa. Quando você fica um tempo longe do Magic, você se sente um estrangeiro longe de casa. Não um turista, mas sim um residente, daqueles chatos, que diz, olhando as nuvens: “Minha terra tem isso e aquilo”.

Meu olhar foi bondoso com a primeira leitura, talvez em razão da saudade. Mesmo assim, fiquei um pouco desapontado. “Desapontado" era a ultima palavra que eu espererava usar, ainda mais depois de ter visto Rancor no Spoiler.

Desde M10 o Magic está mudando, insistentemente. Desde Worldwake, o papo sobre uma necessária redução do “Power Level” era a tônica, ou melhor, o gin das discussões. Em M13 essa redução talvez tenha sido a mais inglória. Era um pouco esperado, afinal, depois que titãs passam não costuma sobrar muita coisa. Duro é sobrar quase nada.

Vermelho tem um Incinerar podado. Azul perdeu seu “anula que custa dois” (quase um Ponta Esquerda no Magic, muito além de um staple). Dizer “o verde tem Rancor” é quase uma zona de conforto, não é argumento. Preto recebeu de volta Duress (dessa vez, como “Coagir”), que nunca deveria ter perdido. E o branco não pode reclamar de nada. Nunca. Mesmo assim, perdeu sua “cólera”.

Passado o choque inicial, pude perceber que havia algo mais. O que não havia. Primeiramente, percebi que o verde era uma casa muito engraçada, não tinha Birds nem Nobre Hierarca. A ausência de Elfos de Llanowar é errada, ou ao menos, uma afronta a um dogma. Talvez haja uma justificativa críptica, como o elfo que desvira qualquer floresta combinar com Shock Lands, que podem vir em Retorno à Ravnica. Veredito? Aves-do-paraíso. Aves...

Aliás, é possível que Aves do Paraíso volte em RTR, pois ela saiu em Ravnica. É possível que a gente tenha ficado sem anulação de custo dois porque Remand volta em RTR, porque ele saiu em Ravnica. É possível que muita coisa em M13 assim o seja por causa de RTR. O problema é: Para onde o povo vai mandar o Magic, antes que ele volte para Ravnica?

Sinceramente, senti um pouco de medo depois que terminei de pensar nessas coisas. Mudanças um tanto bruscas, que fazem Rancor e Retroceder parecer uma política de pão e circo. Não sei se o resultado vai ser positivo, ainda mais aqui, na terra dos dólares caros. Temo uma debandada.


O que está lá


Talvez seja mais útil – e certamente mais produtivo – olhar M13 pensando no que tem lá, ao invés de pensar no que não tem. Temos criaturas, que devem se matar boa parte do tempo. O desafio de M13 é fazer coisas que não são exatamente remoções funcionarem como tal. Além do gritante exemplo da habilidade toque mortífero, existem coisas como banco de nevoeiro, descartes no preto, etc. (Antes que a oposição grite que “Coagir” não descarta criaturas, Espectro Shimiano descarta).

Interessante foi ver isso sendo feito sem tirar a opção de lidar com um punhado de criaturas 1/1. Lidando com criaturas 1/1, você lida com fichas (de goblin, de espírito, de bode, etc.). É possível encarar a coisa toda como um exercício criatividade, na pior (ou melhor) das hipóteses.

Embora seja fácil enxergar estratégias agressivas, decks de controle não foram varridos da existência (totalmente), mas ganharam um problema para resolver. Como viver sem Fuga de Mana? Não precisando dela. Na atual conjuntura, dá para viver com 4 Espalhar Essência, 3 Dissipar (ou 2 Retroceder), com um par de Negar no banco (ou reserva/sideboard, como preferir). Já que a coisa ia caminhar para Fuga de mana anulando criaturas, a restrição pode virar aprimoramento.

Além disso, todo jogador de controle, imagino eu, sonha em jogar de mill. Precisava perguntar para o campeão do semestre se tem uma tradução para mill que não seja “moendo” (falando nisso, parabéns De BiasI). Acho que “deck de moinho” soa melhor. Bom, em M13 os moinhos estão em todo vapor, para nenhum Dom Quixote botar defeito.

Como diria Eduardo Juninho, jogar de mill é enfrentar um oponente com 60 pontos de vida. Tecnicamente, 53. A coisa ficou mais viável para os moinhos, mas matar por falta de grimório é uma coisa tão chata. Por isso deve jogar em UB. Controle tudo com UB e use Brejo de Nephalia /Areias do Delírio para completar o serviço. E, sabemos, tentarão usar o emblema da Liliana em algum lugar.

M13 talvez não seja uma má ideia, mas a execução foi incômoda. Quando você olha para a edição, é muito mais fácil pensar no que não está lá, ao invés de ficar feliz, contente, porque não dizer, pimpão, com a presença de Rancor, Vampiro Nocturnus, Retroceder, Coergir (ou Coagir), Vingador de Serra, Vampiro Falcão-da-Noite, etc.

Seria muito triste constatar, daqui a uns meses, que M13 acabou sendo só uma coisa que aconteceu antes de Retorno à Ravnica. Edição nenhuma merece essa fama, nem mesmo edição básica. Ou talvez tenha sido a melhor hora para colocar fogo no mundo - Todo mundo está esperando Retorno à Ravnica mesmo... (Por isso mesmo estou falando tanto em RTR, por aqui.)


Ligação com o passado e o futuro


Achei peculiares as cartas com grande carga de Retorno de Avacyn no flavor. Só para a gente dar um exemplo gritante: Na espada do Odric, Estrategista Mestre tem um símbolo de Avacyn (invertido, mas tem). Embora quase sempre tenha existido uma ligação, digamos, funcional entre a edição básica e os blocos mais próximos, agora parece que existe também uma ligação criativa.

É possível que o número de aparições do Jace seja uma ligação criativa com Retorno à Ravnica. Uma clima “Sessão da Tarde - Te pego lá fora” parece estar ocorrendo entre Nicol Bolas e Jace, em Limite da Razão. Nicol Bolas só falta citar o outrora famoso: “Onde está seu Deus agora”. Isso pode muito bem ser uma prévia do que vai acontecer em RTR.

Será que Nicol Bolas matou Jace? Será que é o Jace ali mesmo, e não um encapuzado qualquer, saído da Galeria do Rock? E multidões saem às ruas, usando camisetas com o famoso “Free Jace”, tentando sensibilizar a Wizards. Estava a Nova Ordem Mundial tirando nosso foco do iminente fim do mundo, quando encomendou a morte de Jace para Wizards?

(Notem que o texto da carta diz: “O jogador alvo descarta sua própria mão”, e não “os cards em sua mão”. Não digo nada se o Jace acabar virando o Capitão Gancho de Ravnica.)

Tudo isso é muito bonito, até poético, se me perguntarem. Não gostei. Embora seja interessante na aquisição de novos jogadores e na divulgação de produtos, a edição básica era algo mais “independente”. É provável até que eu esteja estranhando essa ligação toda de M13 com Duels of the Planeswalkers. Talvez até tenha gostado, mas a verdade é que achei meio esquisito.

Não tão antigamente, era “feio” colocar Regiões Agrestes de Adarkar numa edição básica porque as pessoas, ah, essas pessoas, iam ficar cheias de dúvidas. “Quem” é Adarkar? Hoje vão lá e colocam Avatar de Serra na edição básica e azar de quem não sabe quem é a velha. Multani, bravo que só ele, também deu as caras, na arte de Rancor. Tem até um Memorial de Akroma, desconhecida para os iniciantes, que gostariam de ver um memorial pro Jace, mesmo que este ainda esteja vivo.

Esse negócio de toda hora ficar mudando a política em edições básicas, ao invés de simplesmente mudar as cartas, é muito bom para o Magic. Numas. Em outras, acaba ficando meio incômodo. É quase uma preparação para reimprimir as Shocklands, mesmo depois de terem dito, nos tempos de Zendikar, que não teríamos mais terrenos que causam dano. Fogo na lista reservada que é bom (e ruim para o Magic), isso ninguém quer colocar. A gente acaba chamando de progresso para não chamar de outras coisas.

No mais, espero que todos acabem aproveitando M13 da melhor maneira possível, seja explorando novas ideias; seja abrindo Vampiro Nocturnus, que estava custando olhos da cara e lágrimas de sangue. Embora não esteja gostando de algumas coisas, espero que de certo, para o bem do tal “futuro do Magic”.

(Tudo mentira, na verdade estou é rindo que nem bobo porque Rancor voltou. Sei lá quem é esse tal de “Futuro do Magic”...)


5 comentários:

  1. Eu particularmente curtí muito, faz com que o magic saia da mesmice!

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    1. Eu ainda fico com o "Não gostei", ponto final, da postagem, mas com certeza sai da mesmice.

      Só não sei se faz bem sair da mesmice num core set, ainda mais agora. Quando o dólar da essa flutuada (para cima), muita gente sai atrás de motivo para parar de jogar. Tenho medo das mudanças em M13 darem mais motivos para as massas.

      Ciclos quebrados, como na falta de um lord que dê +1/+1 para os Goblins, para alguns jogadores, é um "tapa na cara da sociedade" (diria Datena, se jogasse magic). Acho que inovações assim não ficam tão bem edições básicas. Acaba tirando o chão das pessoas.

      Boa parte do meu susto pode ter sido motivado pela minha distância do Magic, nos últimos tempos.

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  2. Aqui costumamos chamar os mill decks de decks de tombar, já que também dizemos "tomba 7" quando usamos um mind sculpt por exemplo. Pelo menos pra mim soa melhor que moinho, mas vai saber, já estou acostumado. Enfim, uma opção.

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