terça-feira, 3 de abril de 2012

Filosofando o Magic: Um torneio Pauper de papel




Por Tio Hélio





0. Nariz-de-cera 

Eu já escrevi sobre pauper uma vez aqui, ano passado. De lá pra cá, muita coisa aconteceu: o Delver aconteceu, ISD-DKA aconteceu... Mesmo assim, boa parte dos arquétipos continua por lá. 

Hoje (que deve ser... ontem? - 01/04/12) eu joguei um evento pauper promovido pela Arena Magic – com inscrição, premiação e jogado com cartas físicas – de papel mesmo (pra quem acha que não existe, ontem eu joguei). 

Não foi o primeiro, não foi o primeiro num período de 30 dias e, muito provavelmente, não será o último – já que o evento é aparentemente bem aceito. 

Eu sou suspeito para falar muito sobre pauper por ser relativamente obcecado pelo assunto - é um dos poucos formatos em que eu gosto de ter um punhado de decks montados e, vejam , tenho até uma pasta só com cartas para ele.  

Daí eu participo do evento e tenho a manha de fazer 0-4 num suíço de 4 rodadas (na verdade, fizeram 4-0 em mim)... Eu poderia dropar, mas na falta do que fazer, joguei. Se tiver um formato que eu realmente não ligo de ir mal, esse formato é o pauper. Nem vou escrever report do 0-4 (bom-senso-amor-próprio-larará...), mas basicamente eu perdi só o último jogo de 2-0, o resto eu perdi de 2-1 e tive uns “quases”. Não deixar para montar o deck dez minutos antes do torneio, dormir antes, não fazer muitas jogadas erradas, etc... Tudo se aplica. 

Ao invés disso, vou falar um pouco do que o pessoal por aqui (Alto Vale do Paraíba) parece gostar mais. (Não tenho as decklists do evento – nem a minha - mas lá no final do post tem algumas decklists). 

1. Monocolor 

A esmagadora maioria dos decks era mono color. Um bom número de Infect e MBC, uns três Burn/Sligh, um White Winnie e um Delver. 

O problema de jogar com uma cor só é que as vezes o deck teima em não fazer alguma coisa direito – ex.: meu monoblack até tinha draw – Phyrexian Rager e Sign in Blood. Nos jogos contra mono red, veio um punhado de draws e nada que me fizesse ganhar vida. Resultado: morte. 

Tirando uma coisa ou outra que a cor definitivamente não faz (ex.: destruir um encantamento com um mono red pauper), a existência de muitas cartas híbridas do bloco Ravnica e do “sub-bloco” de Shadowmoor acaba amenizando as possíveis deficiências que a cor pode ter – por isso o monocolor acaba ficando mais viável. 

Talvez o fato de ser tão horrivelmente difícil jogar com decks monocolores em outros formatos como Modern ou Standard seja um dos motivos que faça as pessoas jogarem como decks monocolores no pauper (nota: Legacy, que é um formato mais normal, tem High Tide, BurnElfball e Pox. White Winnie, como sempre é possível e ganhou até um evento Vintage recentemente). 

Outro fator determinante são os terrenos – ou a falta deles. 

2. Terrenos no pauper 


Temos Terramorphic ExpenseEvolving Wilds e as karoos do bloco de Ravnica. Existem outros que até podem ser usados para adicionar mana de mais de uma cor, mas é meio raro. As próprias Karoos são mais usadas em decks de controle, por não se darem tão bem em estratégias mais agressivas – e boa parte dos decks pauper é relativamente agressivo, mesmo sem ser necessariamente Aggro. 

Voltando para o monoblack control: terreno, Duress, terreno Hymn to Tourach, embora seja algo gritantemente control, é extremamente agressivo-sem-ser-aggro. Pessoas tem certa dificuldade em voltar desse tipo de coisa, pois mesmo sem sofrer dano, sofreram um grande prejuízo. 

Nesse tipo de estratégia, terrenos como Terramorphic Expense e os de Ravnica acabam atrasando um pouco a coisa, por isso algumas pessoas acham melhor não fazer o splash e focar em alguma estratégia monocolor agressiva. 

Existem decks agressivos que usam as Karoos e Terramorphic, mas é melhor não entupir os decks com esse tipo de terreno e aproveitar as boas cartas comuns híbridas de Shadowmoor e Eventide, por exemplo, quando possível. 

Talvez um fixer mais “agressivo” seja o que falta no repertório do pauper para deixá-lo mais semelhante aos outros formatos eternos (Old duals comuns, talvez?

3. Os decks monocolores do ambiente local (olha que sorte a nossa, tinha decks monocolores de cada uma das cinco cores!) 

Como os decks são bem focados, é preciso fazer alterações mais condizentes com o metagame local, que pode não ser exatamente o mesmo do Mol por vários motivos. Aqui na região do Alto Vale do Paraíba, o povo parece não ir muito com a cara de Affinity e morrer de amores por Hymn to Tourach (no Mol é incomum, em Fallen Empires é comum, por isso vale no pauper de papel – mais sobre isso adiante) – suficiente para tornar netdeckar sem fazer ajustes uma má ideia. 

O fato de muitas pessoas não jogarem o formato regularmente e montarem o deck na última hora para eventos pauper dificulta muito esse tipo de ajuste (tem também um pessoal que nem eu, que tem o deck montado e muda ele inteiro na última hora). Mesmo assim, apesar dos pesares, a ideia geral continua a mesma. Uma breve análise dos decks mais queridos da região: 

3.1. Mono Black 

O plano geral envolve usar coisas como CorruptCrypt Rats e Tendrils of Corruption. Soma-se a isso algumas remoções, algumas criaturas e descarte para termos o esqueleto do deck. Para o uso de Corrupt de forma satisfatória são necessários pelo menos 22 terrenos – alguns usam 24, meu número ideal é 23. 




As criaturas desse deck normalmente irritam o oponente fazendo-o descartar cartas ou (como o maior alvo de ódio do deck, Chittering Rats) coloca-las no topo do grimório. As criaturas não costumam ser tão finalizadoras assim e o jogo é ganho usando Corrupt e Crypt Rats. A maior parte delas não custa mais do que três, o que permite o uso de Unearth. 

Uma nota sobre cartas que compram cartas: elas machucam você, pois normalmente envolvem perda de vida, o que torna o ganho de vida de Corrupt e Tendrils extremamente necessário. 

Isso, aliás, me deu um pouco de trabalho ontem, motivo pelo qual estou pensando em usar o splash azul ao invés de jogar só de Mono Black. 

Os terrenos com cycling (ex. Barren Moor) costumam ser usados em decks com muitos terrenos, coisa que muita gente faz no Mono Black. 

                             

3.2. Mono Red 

As listas locais não eram a lista de Goblins do MOL, muitos preferem seguir o caminho do dano. Eu não vi as pessoas usando Kiln Fiend, o que me deixa feliz, já que ele costuma ser muito melhor na teoria do que na prática, ainda mais se remoção de criaturas é a boa dmetagame local. 

Os danos diretos estão lá, você tem um burn com criaturas piores, suporte pior, mas com o mais importante do esqueleto intacto (coisa que o Modern não tem – Free Chain Lightning!): Lightning Bolt, Chain Lightning, Lava Spike e Rift Bolt. 




Dependendo dá situação dá até para pensar em ver quem causa dano mais rápido usando Flame Rift, finalizando com Fireblast. Você não tem Goblin Guide e Hellspark Elemental, mas Keldon Marauders ainda está lá. Para tapar buracos do deck é possível usar Goblin FireslingerFireslinger (obs.: como eu adoro Fireslinger... Confesso que é uma coisa meio pessoal), Searing Blaze e até Needle Drop/Faithless Looting para dar seus bons draws. Enfim, lembrar de sempre considerar o metagame. 

     

3.3. Infect (Mono Green) 

Você tem umas quinze criaturas com infect, uns dezesseis terrenos, umas Pétalas de Lótus e muitas, muitas coisas para “inflar” suas criaturas (“inflar” era no meu tempo, hoje geral fala “pump”). E esse parágrafo geralmente resume o que você vai fazer quando tudo dá certo... 



Quando o oponente resolve fazer alguma coisa, você pode precisar usar um de seus pumps para proteger alguma criatura (normalmente Mutagenic Growth e Vines of Vastwood), já que sem criaturas fica difícil... O esquema do deck é saber quem você salva, quando salva e quem + o que você usa para matar. 

Pétal de Lótus, além de muito legal, é bem útil contra alguns decks, deixando mana aberta para usar Vinhas de Vastwood para proteger seu Glistener Elf e tentar matar um oponente no segundo turno ou até para te proteger de um Daze – a simples presença da pétala de lótus deixa o usuário de Daze bem triste... Só não usar como se ela simplesmente fosse um “terreno extra” que a coisa gira bem. O resto é fácil: Rancor + Invigorar = morte. 

                             

3.4. Mono Blue Delver 

O legal mesmo desse deck é que ele não se limita a usar a criatura azul mais roubada de todos os tempos – ele usa um punhado de coisas azuis roubadas de todos os tempos: Delver of SecretsBrainstormDazeSnap... 


     
Tirando a parte óbvia – T1 Delver, T2 transformar e bater – o deck tem um lado controle bem interessante. Ele controla o board usando fadas – Cloud of Faeries e Spellstutter Sprite. A primeira tem reciclar 2 e, quando entra em jogo, desvira até 2 terrenos (meio que entra em jogo de graça). A segunda tem flash e anula uma mágica com custo menor ou igual ao número de fadas que você controla. Significa que, somando com Contramágica, você tem uns 12 counters... 

No quesito card draw, todas as listas usam Preordain. Eu uso PonderPonder simplesmente “cavuca” mais fundo e te dá a opção de embaralhar seu grimório inteiro – e eu acho muito legal fazer isso depois de Brainstorm. Por essas e outras, o deck usa no mínimo 15-16 terrenos (eu gosto de usar 17) e mesmo assim não costuma dar problema. Eu costumo floodar com 17, ontem sentei do lado de um amigo que “floodou” com 18... Dá pra descer Spire Golem sem susto – que voa e tem 4 de resistência, o que costuma ser alto no pauper. O que eu não gosto do UW Delver Blade Standard eu gosto desse deck – muito. Mono U Delver pauper é um dos poucos decks azuis no mundo que realmente me agradam. 


        

3.5. White Weenie 

É um dos decks mais chatos de montar no papel, já que as cartas são chatas de achar, mas costuma ser bem ajustável a qualquer metagame. Guardian of GuildpactBonesplitterIcatian Javelineers e Razor Golem são o que eu mais gosto nesse deck – o que eu considero “core”. 

   


Sempre é bom ter um punhado de remoções, afinal, a gente nunca sabe o dia de amanhã – ou melhor, a gente sabe, mas finge que não sabe que o amanhã de alguma forma terá a manha de ser mais cagado do que hoje de alguma forma..Essa é a filosofia do Mono White... Voltando ao assunto... Journey to Nowhere e Unmake costumam dar conta no quesito remoção2 ou 3 de cada. Cordões Prismáticos representam tudo o que existe de bom, legal e paranóico no mundo.  

As criaturas – mais ou menos umas 30 – tem custo baixo, boa parte voa, geralmente uma delas serve para ganhar vida. As que não voam nem ganham vida geralmente fazem alguma coisa legal – tipo o Loyal Cathar que te dá virtual card advantage (vulgo “2 pra 1”). 

   

Por fim, se alguma cor é proeminente no seu metagame, sempre dá para colocar um tipo círculo de proteção no sideboard, junto com coisas para destruir artefatos, encantamentos, esperanças, etc. 

4. Hymn to Tourach e Goblin Grenade 

As duas cartas são incomuns no MOL e comuns em Fallen Empires, ou seja, no pauper de papel “pode”...  Sempre foi assim por aqui, tudo muito bom, tudo muito bem. Desde ontem eu estou aqui pensando... Goblin Grenade é meio broken no formato, mas de verdade, não sei até quando ela deixa os decks vermelhos tão melhores do que os outros (eu acho que eles ficam melhores do que os do Mol...). 

Agora, Hymn to Tourach é meio incômodo. Se você montar um deck voltado para dar dois Hymn to Tourach em alguém + fazer qualquer outra coisa, seu deck ganha uma vantagem absurda... 
É meio fácil pra falar porque eu não sou, mas “se eu sesse” T.O. eu baniria  as cartas comuns em papel que são incomuns no Mol, assim mesmo, como regra geral (essa é a graça de organizar torneios de formatos não-sancionatos – poder absoluto – mhuahuahua). O objetivo é já ter um formato previamente balanceado com referência para decklists e evitar distorções. Além disso, mas fácil fazer assim do que listar as comuns de Masters Edition e organizar torneios de classic pauper de papel... Lógico que precisaria testar a coisa toda antes para ter certeza disso, antes de banir cartas a torto e a direito – senão vira Modern esse troço! 

Eu nem falei de High Tide, que é comum em papel e incomum no MOL, mas eu acho que High Tide deveria ser bandida do mundo conhecido, não só de pauper. Acho que falou em pauper, falou em banir High Tide e Frantic Search – se o T.O. não banir nada, use um deck com High Tide, Frantic Search e ganhe.... 
  
5. No fim do dia post... 

Junto com Commander, talvez pauper seja meu formato favorito para desestressar do Standard ou simplesmente não jogá-lo. Já falei isso em outro post, mas acho que o pauper lembra bastante o magic de antigamente (decks monocolor, cartas comuns monstruosamente roubadas, mais divertido – embora isso seja meio subjetivo, etc.). 

Embora não seja um formato exatamente barato, ele é barato se comparado com o Standard & Cia. Ltda. Muito barato. Outra grande vantagem é ser um formato “eterno” e os arquétipos não costumam mudar tanto assim. Eu investi em cartas pauper por volta de 2010 e consigo montar um bom número de decks sem investir muita coisa a mais. 

A atmosfera do torneio é mais bacana, mais leve. Acho legal mesmo a Arena Magic organizar esse tipo de evento e, de veradade, recomendo! Além disso, é sempre bom jogar um formato não-sancionado mais por diversão do que qualquer outra coisa de vez em quando... 

PS: Conforme for, talvez eu fale dos decks citados e dos não citados detalhadamente em outros posts. O foco desse post foi dizer que existem torneiopauper de papel e que decks são usados neles. Daí sim, com decklists de cada um deles.  

Para não deixar todo mundo na mão: É possível achar decklists no canto direito dessa página – Link. Vou colocar links abaixo para páginas com decks parecidos com os citados nesse post – não necessariamente os melhores da cor ou os mais comuns (tem que procurar o deck em cada página, pois vão aparecer todas as listas de cada torneio): 

Nenhum comentário:

Postar um comentário