segunda-feira, 19 de março de 2012

Filosofando o Magic (Yayyyy!) - Clube da Luta dos Planeswalkers




Por: Tio Hélio




Nariz-de-cera - A formação do Clube da Luta dos Planeswalkers


A sala de reuniões da liga dos Planeswalkers estava cheia de Planeswalkers sem esperança. Eles até apareciam num deck ou outro do Standard, praticamente num subemprego em alguns deles: ali para comprar cartas, aqui para colocar um emblema, acolá para fazer fichas.

Gideon Jura, acostumado a carregar um deck control nas costas se enfurece e faz a mesa atacar sua mão, chamando a atenção de todas. Em alto e bom som, ele citou o filme Clube da Luta. Afinal, em tempos difíceis, um bom planeswalker pensaria: “o que Tyler Durden faria?”

"Cara, eu vejo no clube da luta os homens mais fortes e inteligentes que já viveram. Vejo todo esse potencial, e vejo ele desperdiçado. (...) Os anúncios nos fazem comprar carros e roupas, trabalhar em empregos que odiamos para comprar as porcarias que não precisamos. Somos uma geração sem peso na história, cara. Sem propósito ou lugar. Nós não temos uma Grande Guerra. Nem uma Grande Depressão. Nossa Grande Guerra é a guerra espiritual... nossa Grande Depressão é nossas vidas. Todos nós fomos criados vendo televisão para acreditar que um dia seríamos milionários, e deuses do cinema, e estrelas do rock. Mas nós não somos. Aos poucos vamos tomando consciência disso. E estamos muito, muito revoltados."
(fonte da tradução: Wikiquote)

Assim, eles se uniram em um deck. Jace não quis participar, preferiu ficar lembrando dos seus tempos de Mind Sculptor, conversando no MSN com a Stoneforge Mystic. Os planeswalkers vermelhos, bem, praticamente ninguém gosta de verdade dos planeswalkers vermelhos...


Planeswalkers e o mercado secundário


Recentemente, aconteceu com frequência tratar alguns Planeswalkers quase como “o novo Jace TMS” - pelo menos no quesito preço. Tem gente que vai em release só para comprar/vender planeswalkers. O problema é que os planeswalkers recentes costumam desempenhar apenas uma ou duas funções  no standard (por exemplo, o Garruk que compra cartas) e normalmente terminam desvalorizados, não valendo os 100 merréis da pré-venda. Sorin 2.0 teve esse problema, Liliana 2.0 nem tanto (custar 3 a torna útil no Legacy).

Daí que muita gente compra os planeswalkers e eles ficam perdidos nas pastas, esperando para ser usados num dia que nunca chega. Em minha opinião, quem é caçador de planeswalkers (comprando na pré-venda ou na baixa) deveria testar esse deck, só pra fazer justiça ao seu dinheiro. Como falaram que “X” ia jogar e valia 100 conto, o esquema é botar “X” pra jogar!

Sem mais delongas, aos decks:

Lista que ficou em segundo no Open em 11/02/2012 (Junkwalkers) - Link
Lista que ganhou o Open em18/03/2012 (Esper Control): Link


O time




 
A maneira mais correta de enxergar os dois decks é vê-los como um Gideon Deck Wins. O detalhe é que o ultimate da Liliana pode matar o oponente, assim como um punhado de fichas. A base do deck é, portanto, preta e branca.

Como quase todo deck preto e branco, é obrigatório usar Lingering Souls, porque ela protege seus planeswalkers e serve como alternativa para ganhar o jogo.

O jogo basicamente flui da seguinte maneira:

- Desça Liliana;
- Desça Sorin;
- Day of Judgment, se o caso;
- Faça fichas (essa parte de fazer fichas, na verdade, pode ser feita antes de descer o Sorin ou a Liliana, cada caso é um caso);

Até aqui (mid game), o oponente vai usar uma boa quantidade de recursos na Liliana e Sorin – que são terrivelmente bons juntos. Eles não são simplesmente uma isca, principalmente porque meia dúzia de fichas + emblema do Sorin e uma Liliana com uns 7 marcadores geralmente é jogo.

Passado esse ponto (late game), você provavelmente morreu ou fez avanços estabilizando o board. Nessa hora, é bem provável que o oponente tenha gastado todos os recursos dele lidando com Liliana/Sorin (sim, muita gente joga errado contra esse deck, porque ele exige decisões difíceis). Daí você desce o Gideon Jura.

Se você estiver com a mesa linda: Gideon, Liliana, Sorin, você fará duas mágicas de graça por turno e não levará muitos ataques (provavelmente, você vai bater de Gideon no oponente, já que ele estará sem criaturas).

Gideon + fichas ganharão o jogo para você. Esse é um deck control que joga numa velocidade razoável, tanto que a melhor de 3 acaba durando uma meia hora. E o match dele é bom obrigado contra... Quase tudo. Na versão Esper, ele até lembra o UW control antigo...

Essa é a ideia geral, a questão agora é escolher azul ou verde para completar o deck.

O lado Azul



Acrescentando o azul, você ganha Snapcaster Mage, Mana Leak e draw. Isso acaba aumentando a consistência da estratégia principal ao invés de ter mais meios de vencer. A verdade é que Gideon ganha o jogo sozinho com tanta frequência que não é estritamente necessário ter mais formas de vencer, por isso o negócio é comprar cartas e anular umas coisas aí enquanto o oponente assiste sua vitória (azul, a cor da arrogância? :p). Ok, Esfinge Consagrada ajuda a matar o oponente...

Na verdade, é uma vertente mais control puro e tem a ameaça constante de você ter um bloqueador surpresa na mão, deixando as escolhas do oponente mais difíceis. Azul serve para deixar o oponente mais inseguro e desconfortável. Acho que essa é a versão mais competitiva.

A vertente verde




Na verdade, é um splash para GW Tokens, com Elspeth no pacote. Como o deck não tem criaturas, as duas últimas habilidades do Garruk transformado são meio inúteis. As fichas de lobo com toque mortífero acabam justificando a presença dele no deck.

Na verdade, na verdade, é possível ir só de BW, porque a única coisa que o deck usa do verde que é “insubstituível” é a Autumn’s Veil (geral sempre leva susto de Autumn's Veil...). Beast Within e Oblivion Ring acabam tendo funções parecidas. A única diferença é que você pode usar Beast Within para fazer uma ficha de besta para você, o que pode até ser útil.

Essa versão tem menos draw (usa apenas Tezzeret’s Gambit), mas é mais comprometida com a filosofia token beatdown. Outro detalhe interessante é que a versão Junk tem muito mais planeswalkers, o que dificulta a vida do oponente, que fica meio sem saber qual planeswalker matar – e oponente confuso é oponente que acaba jogando errado.


Conclusão


Jogar bem com Junk contra um oponente que não joga muito bem pode até dar mais certo do que jogar com a versão Esper. Além disso, Junk é uma combinação mais legal de cores, então, autowin! Por ser um deck mais filosoficamente divertido – um deck control com splash verde que não tem ramp nem cartas de criaturas – talvez Junk seja a melhor escolha contra ambientes mais rogue.

Entretanto, impossível deixar de dizer que a versão Esper é mais coesa e ter Snapcaster por perto é sempre card advantage virtual, por isso, como dito anteriormente, acaba sendo uma versão mais competitiva.

Importante mesmo é o esqueleto BW: 2-3 Gideon, 3-4 Lingering Souls, 3 Liliana 2.0 e 3 Sorin 2.0. Em cima disso, dá pra inventar bastante coisa, inclusive pra ajustar o deck para metagames diferenciados. Penso que o importante mesmo é tirar vantagem da dificuldade que é lidar com um punhado de planeswalkers.

Outra vantagem é que o arquétipo usa cartas caras, mas não usa tantas cartas chatas de achar: Espada disso e daquilo, Phantasmal Image, etc. Além disso, sempre tem alguém no time que gosta de jogar com decks diferentes. É chato para um time montar uns 4 Ramps (16 Huntmaster?), 4 Frites (16 Elesh Norn?), 4 Zombies (por enquanto), mas um time bem estruturado consegue montar o Esper Control sem susto. Acho que é sempre bom ter esse tipo de opção.

No final do dia, se você odiou o deck e não vai jogar com ele nem a pau, seus planeswalkers vão subir de preço/manter o preço e vai dar para trocá-los por cartas raras por causa do Esper Control. Toda vez que aparece um deck standard forrado de míticas, surge uma oportunidade para você passar uma carta e pimpar seu deck de commander ou montar um pauper inteiro – nunca odeie o Standard – ele é bem útil, se usado com moderação.


Epílogo: Cartas míticas, preços do standard e assuntos filosóficos aleatórios


O modelo de negócios no mercado secundário do Magic é muito bom se você:

- Sabe o que você quer fazer (jogar só limited, jogar só standard, jogar só formatos casuais, etc);
- Lê bastante e compra cartas antes delas subirem de preço (aqui no Brasil a carta costuma subir de preço uma semana depois do dia em que ela deveria ter subido de preço);
- Faz trocas com eficiência (trocar com eficiência, entre outras coisas, é pegar as cartas quando estão baratas e trocar depois quando elas estiverem caras, pelo preço correto naquele dia – não farás rip trade!);
- Faz qualquer outra coisa para se divertir ao invés de reclamar dos preços do standard (porque todo mundo sabe que o standard é caro);

Não quer jogar com o deck porque é caro? Então troque/venda as cartas do deck quando elas estiverem caras para montar o que você quiser – nunca simplesmente ignore a existência de um deck standard. (Nota: eu, “le autor”, não sou dealer e jogo com mais cartas vermelhas do que a maioria das pessoas estaria confortável com, logo, faço muito isso)

Moral da história: o deck é caro? Ma-o-menos (não usar espadas economiza uns trocados), mas nem por isso ele deixa de ser útil para você de outras formas. E tá com cara que ele deve ficar popular, por isso é bom pelo menos treinar contra ele.

Só não recomendo vender Gideon – ele é perigoso quando ignorado no standard. :)

Fim


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