terça-feira, 1 de novembro de 2011

Filosofando o Magic - “Nesse verão, resolvi fazer algo diferente...” (Commander)

Tio Hélio



Nariz de cera

...Decidi que na falta de 4 Snapcaster Mage, ia jogar commander.
[Obs.: Como eu tinha comentado semana passada, faltaram alguns arquétipos nos top 8 standard da vida. Pensando em todos vocês, mandei meus macacos alados até o Japão e eles agiram nos bastidores para gerar esse top 8 para termos as “listas sumidas”: http://bit.ly/tK3znT . Tivemos GW Tokens (1), UW Geist (2), Solar Flare (3), UW Geist/Blade (4), RDW (5), Boo Blade (fichas de espírito) (6), Tempered Steel (7) e Bant Pod (8). Parece que de certo mesmo na vida, só GW tokens. Até Snapcaster deu uma sumida... E sem Wolf Run! Talvez essa tenha sido a introdução mais nada a ver com o post de todos os tempos. Como esse top 8 fugiu muito dos Wolf Run/UB/Infect, achei melhor postar. Utilidade pública, se é que vocês me entendem...]

Por que as pessoas jogam commander?

Ok, pode parecer que a seção anterior foi mais uma reclamação sobre o preço das cartas no Standard. Na verdade, foi também ;) . Além disso, foi a reprodução da fórmula de uma frase que eu andei lendo com certa frequência nos fóruns estrangeiros: “Quando alguma coisa dá errado”, eu jogo commander. Já vi esse formato atraindo: pessoas que droparam de torneios; pessoas insatisfeitas com standard; pessoas querendo fazer algo diferente no magic; jogadores abandonando o competitivo e tornando-se casuais; etc. Em outras palavras: “Sem planos para o verão? Vamos fazer desse verão o verão do commander!” Go go Commander Summer! (Se a expressão pegar, fui eu que inventei; se não pegar – o que é mais provável; próxima seção).

O que é commander?

Commander (que tinha o nome bacanudo “Elder Dragon Highlander” - EDH) é um formato não sancionado de Magic de Gathering, porém com algum suporte da Wizards of the Coast (lançando produto selado voltado para o formato, por exemplo). As regras estão nesse site: http://www.mtgcommander.com – e tem versão em portugês, meio antiguinha (dos tempos do EDH): http://bit.ly/rZDvyz .

Resumidamente: Seu deck precisa ter um “Comandante” - que precisa ser uma criatura lendária. Seu deck não pode usar cartas com símbolos de mana que não aparecem no Comandante (na carta toda, não só no custo). É a tal “identidade de cor”. Ex.: Se o comandante é o Memnarch, você pode usar no deck cartas com símbolos de mana azul (texto do Memnarch); mas não pode usar Aprendiz de Stormscape (que tem símbolos de mana preto e branco no texto), Magibomba Niilista (que é um artefato com símbolo de mana preto no texto) ou Curse of Chains (que é uma carta híbrida azul e branca) por falta de identidade de cor com o Memnarch.

O Deck precisa ter exatamente cem cartas (uma delas sendo o general), quantos terrenos básicos você quiser e no máximo 1 cópia de cada uma das outra cartas. Lista de restritas e banidas naquele site do link acima. Cada jogador começa com 40 pontos de vida, mas pode morrer se levar 21 pontos de dano do general inimigo. Além disso, existem ligas usando sistemas de pontuação (quem zicar os terrenos de alguém perde pontos, quem morrer primeiro ganha um ponto, etc.), listas (ênfase no “s”) de cartas banidas e todo sorte de invenção que formatos não sancionados permitem. O foco é na intereção social, não em atacar com um Inkmoth Nexus 10/1 e ganhar, por isso algumas pessoas evitam cartas que prejudicam a diversão (tipo Armagedom).

O Comandante fica na zona de comando (lugar onde ficam cartas vanguard, emblemas de planeswalkers, palavrões que você não pode falar durante o jogo, etc.) e pode ser jogado de lá, como se estivesse em sua mão. Quando ele morre ou é exilado, você pode colocá-lo de volta na command zone. Você precisa pagar um custo adicional de 2 para cada vez que você o jogou a partir da zona de comando além da primeira.

Diversão, casual blá blá blá, mas onde eu acho decklists...

Sim, existem jogadores competitivos em commander. E existe gente que netdecka. Um bom lugar para achar listas, provavelmente pela organização acima do normal (decks por general, pelo menos um de cada criatura lendária já impressa no magic) é o fórum da mtgsalvation:

Para quem interessar possa, meu deck também está lá (Em Allied Bicolored, GW, Captain Sisay):


Ao invés de fazer um tutorial sobre decks de commander, vou explicar as escolhas do meu deck, colocando algumas coisas de commander (o número na frente serve para contar as cartas no deck, não é o número de cópias de cada carta). Dica – organize seus deck separando as cartas por função, fica mais fácil mexer no deck depois.

Resumidamente, o mais interessante é ter um deck nas mãos que use as habilidades de seu comandante ao invés de usar um comandante só por causa de suas cores. O interessante é que o comandante passa a ser algo do tipo “personagem de livro que cria vida” - na verdade, não é você quem monta seu deck, é o seu comandante. Exemplificativamente, vamos analisar algumas cartas do meu deck:

ComandanteCaptain Sisay – Na verdade, meu comandante é um Gaea's Cradle que eu tinha jogado, aqui na pasta. Como ele não é uma criatura lendária, é um terreno, eu precisava de um jeito de fazê-lo aparecer em todo jogo. A resposta foi Sisay, que procura cards com o subtipo lendário no grimório. Daí eu descobri o seguinte: eu gosto de ver sempre as mesmas cartas todo jogo. No fundo, eu gosto muito de tutores. A escolha do general normalmente reflete a filosofia do deck (no meu caso, usar efeitos “tutor”) e influencia a escolha das cartas.

Terrenos Lendários e outras Permanentes Lendárias: Com a Sisay na mesa, é possível procurar pelas “lendas” no grimório. Uso lendas que tem um certo efeito de controle, sem perder o efeito aggro. Além disso, poder procurar terrenos lendários significa não perder o drop de terrenos, podendo descer um Vorinclex no turno 7 ou uma Elesh Norn no turno 6 (contando que pelo menos uma aceleração venha).

Como o deck estava atrapalhando a diversão alheia, podei um pouco a lista, tirando Hokori, Dust Drinker e colocando mais um terreno lendário. Com Hokori na mesa, jogadores só podem desvirar um terreno. Quando esse terreno é um Gaea's Cradle, pessoas ficam bravas, já que isso praticamente vira um softlock. Como o objetivo do commander é a diversão, optei por fazer essa mudança no deck.

Tutores: O deck não tem nenhum problema em procurar permanentes lendárias, mas existem também permanentes não lendárias para serem buscadas e o risco de não poder usar Capitã Sisay contra alguns jogadores. Por isso o deck tem tutores de criaturas e de terrenos, para não ficar com problemas de consistência contra uma Tsabo Tavoc da vida.

Toolbox (caixa de ferramentas): As “caixas de ferramentas” do deck são efeitos das cores verdes e brancas que cobrem aspectos relevantes em outros formatos do magic que também são importantes em commander, só que de um jeito diferente. É nessa parte que estou mexendo no deck com maior frequência. Sylvan LibraryHarmonize compram cartas, o que é sempre bem vindo.  Nevinyrral's Disk  e Austere Command fazem remoção espetaculosa (remoções locais costumam não ser muito eficazes em commander).  CondemnOblivion Ring fazem remoções locais (Condemn, aliás, é a melhor remoção local do formato, pois quando você coloca um Comandante no fundo do grimório de alguém, ele não volta para a zona de comando).

O que o deck está precisando para ter uma consistência maior é de um Enlightened Tutor, pois muitas coisas do toolbox são encantamentos ou artefatos. Além disso, comandos e medalhões (cards em que você escolhe isso, ou aquilo, ou aquilo outro) são bem interessantes em commander, por sua flexibilidade. Conforme for, talvez eu tenha que abrir slots no deck para colocar mais draw ou mais remoção.

Uma Command Tower também iria bem, obrigado, no lugar daquela Tarnished Citadel. Uma nota de rodapé: você não precisa tanto assim de fetch lands, old duals e shock lands em commander. Algumas pessoas usam, mas como vai ser uma carta num universo de 99, um land entre de 36-40 não é coisa-linda-de-deus-que-filtra-horrores. Eu poderia colocar até 7 fetchlands no meu deck, 1 shock e 1 old dual (para tanto, bastaria eu fazer um financiamento), o que possivelmente filtraria 1 card na matemática complicada - o que, em tese, vale a pena, pois você tem 40 pontos de vida para gastar e a perda de vida nessa quantidade é realmente irrelevante no commander.

Fetch lands de terrenos básicos presentes no deck, shocklands e old duals são fixers e, por isso, obviamente melhores do que terrenos básicos - se você tiver, use. Agora, se você não tiver esses terrenos, você não precisa jogar necessariamente com decks monocoloridos. O impacto de uma ou duas old duals num deck de 99 cartas é mínimo comparado com o efeito de 4-6 num deck de 60 cartas. Um terreno estranho incomum que entra em jogo virado já resolve o problema, ainda mais sendo um formato casual. Artefatos que adicionam manas coloridas também são bem úteis...

Comandantes populares

Pessoas costuma gostar de: Capitain Sisay; Rafiq of the Many; Akroma, Angel of Fury (geralmente vira um deck de destruição de terrenos muito competitivo que acaba com a diversão do oponente); Sharuum the Hegemon; Uril, the Miststalker; Mayael the Anima; Thraximundar; Teneb, The Harvester; Doran, the Siegetower; Darien, King of Kjeldor; Skithiryx, Blight Dragon; etc.

Normalmente, é mais fácil chegar numa conclusão escolhendo o comandante e depois montando o deck do que pensar num deck e achar um comandante depois.

Cartas populares (staples cards que normalmente entram no deck, se possível)

Sol Ring; Command Tower; “Qualquer” Tutor; Comando “qualquer”; Pacto do Invocador; Grimório Silvestre; Gauntlet of Power; etc.

Dicas finais

O site magiccards.info tem uma opção de pesquisa avançada, que deixa você escolher cards com identidade de cor com as cores que você escolher (Color Identity). É o tipo da coisa útil para pesquisar cards e montar decks de commander.

Existem deck boxes específicas para commander (na verdade, o deck cabe em caixas que comportem 100 cards com sleeves). A dica é: se você estiver usando aqueles shields transparentes baratos (os bem finos, da ultrapro), o deck de 100 cartas cabe naquela deckbox de plástico da Ultrapro (embora alguns cantos das beiradas do protetor da parte superior costumem ficar amassadas, pois os plásticos transparentes são grandes).


(Fotos tiradas com meu celular de 100 reais. Se bobear, era melhor ter feito um desenho... Se alguém quiser me dar um celular de presente com câmera boa, PMSG! Brincadeira! Talvez não... Bom, acho que deu pra visualizar apesar de tudo, né?)



Por questões de espaço, sem conversa de dinossauros essa semana.



Fim



Um comentário:

  1. Hélio, você esqueceu também da Empress Galina, que adora o seu deck.

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