segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Filosofando o Magic




Filosofando o Magic – Top 8s do Standard, Innistrad e outros assuntos aleatórios.


Nariz de Cera

Normalmente, abordar assuntos aleatórios é uma regra nos posts que eu escrevo (nesse blog, no blog que eu tinha, no tumblr, no twitter). Numa postagem com “assuntos aleatórios” logo no título...

Varias coisas sobre Innistrad nessa postagem, algumas prometidas, outras não; assim como outros assuntos – ex. Dinossauros.

Começaram os eventos com Innistrad no Mol, que vai ser um lugar para ver as listas standard atuais sendo testadas com maior frequência. Recomendo especialmente fuçar nos Daily Standards de 14/10 em diante (quem perdeu o link pras listas do mol? Todo mundo? Sem problemas - http://bit.ly/eNHbaO – as listas dos Standard Daily estão embaixo de “Event Coverage, no canto inferior direito – vulgo “na sua direita, não a da tela”).

O Mol vai ser um lugar bom para ver o que essas listas novas fazem com as listas que deram uma sumida dos top 8s, como o Bant Pod ou listas “beatdown” como os Tempered Steel e Mono Black Infect da vida (listas velhas), coisa que aconteceu nos estaduais esse fim de semana. Ao invés de especular sobre o futuro dessas listas, vou falar dos top 8s em eventos maiores, como o GP Brisbane, e também do SCG Open em Nashville, ambos dominados por listas novas, delineando algumas tendências no standard.

Como muita gente não tem poesia na alma, a gente precisa “chegar chegando” nos posts :) :

Decklists Standard recentes (e torneios que eu usei de base para escrever a seção anterior):

Top 16 do SGC Open Standard 09/10/11: http://bit.ly/q3RPTa (4 decks sem Snapcaster Mage no top 8, incluindo o vencedor, um Wolf Ramp).

Top 8 do GP Brisbane: http://bit.ly/nr0zcr (4 decks sem Kessig Wolf Run no top 8, incluindo o vencedor, um UB control)

Estaduais US e Canadá: http://bit.ly/rbfeyM Obs. As listas ainda não tinham sido postadas “até o fechamento dessa edição”, mas tudo indica que a referida “muvuca” acontecerá no link indicado algumas linhas atrás. Pelo que eu consegui descobrir dos estaduais, vários Wolf Ramp nos top 8s, além de Solar Flare e UB. UW e GW também presentes (aparentemente o vencedor de Nova Iorque foi um GW). Temos também a presença de Bant Pod, Tempered Steel e Mono Black Infect em alguns top8s.

Innistrad chegou e o Standard começou de novo

Considerando apenas o Standard Competitivo, Innistrad tem algumas cartas boas. Entre elas, definindo o formato:

- Snapcaster Mage: A carta é boa. É boa de verdade. A gente vai ver muito Snapcaster Mage enquanto pessoas jogarem Magic ou enquanto ele não for banido do standard/ legacy/ modern/ block/ vintage/ commander. Além de entrar nos UW da vida, lugar onde todo mundo cismou de enfiar o garoto desde os tempos de spoiler, ele trabalha “muito bem, obrigado” com Doom blade, Dismember, Surgical Extraction e até Divination.

Existem listas de UWb com Snapcaster, que tem um side mais parrudo que um UW qualquer. Mesmo num UW Mage, eu não tiraria todos os cards pretos – tipo Dismember/Surgical Extraction - de perto do Snapcaster, pois eles fazem o mago ter todo o sentido.

A receita é mais ou menos: “Tira umas Instants do deck e coloca Snapcaster Mage, que pode copiar instants que você joga no início do jogo (lá pelo turno 2) no cemitério” Também da certo com feitiços, mas nem tanto. Como só tem carta ruim no standard o standard ainda está meio indefinido, não me surpreende que ele não esteja fazendo feio. O que me surpreende é ele já estar fazendo bonito até demais no Legacy,  aparecendo em 4 decks do top 8 – http://bit.ly/r5T3Og .

- Kessig Wolf Run (também conhecido como Valakut 2.0): Um terreno raro com temática de lobisomens. Você o arranca da temática (o que, diga-se, é necessário com boa parte dos cards de ISD) e tem um deck standard de verdade. A estratégia ideal é: “Mana –> Ramp –> blá blá blá + Slagstorm –> Titã Verde –> Kessig Wolf Run = Um dos meus 4 Inkmoth Nexus ganha +X/+0 (e X é um montão, porque o deck é Ramp) e você morre.”

É um mono green com Slagstorm MD (e outras coisas vermelhas no side), ou simplesmente mono green (Dungrove Elder é meu bicho favorito na versão mono green – e como todos os meus “bichos favoritos”, aparentemente ele não é staple). Zenite Verde para Birds/Acidic Slime = gente triste. Até poderia ser o deck mais barato, não fosse o preço do Garruk, que tem mais cara de “win moare” do que qualquer outra coisa. Bonito mesmo é ver no mirror “bloqueio seu Titã com meu Wurmcoil”, porque criatura boa é criatura que diz “Lolz, dismember!”.

Vale lembrar que o tal do Slagstorm pode ser cada vez mais necessário (fichas, criaturas com hexproof, etc), o que significa que a falta de uma mana vermelha para usá-lo na hora certa pode significar não ir para a final de um GP (http://bit.ly/qYd4x1).

O que vai jogar no standard? Recomendo ler isso daqui. Se você não quiser ler, acho que esses serão os decks tier 1 (alguns nomes por mim cunhados): Wolf Ramp, UB Mage Control, UWb Mage Blade, Esper/Solar Flare, GW Tokens e Red Deck Wins (incluído aqui por pena porque é bom ter side contra, pois deve ser comum em torneios, mesmo que apenas antes do top 8). Red Deck Wins deve acabar sendo uma linha (o que estiver abaixo desta linha deve acabar ficando como tier 1.5-2). Mais ou menos: imagina que Kessig Wolf Run é o Valakut e que Snapcaster Mage é o Jace the Mindsculptor, embora nenhum deles seja tão roubado quanto as respectivas reencarnações passadas.

Snapcaster Mage deve, em tese, regular de preço com a Stoneforge Mystic antes do banimento, mas a vantagem dele é jogar com cartas baratas ao invés de necessitar de equipamentos míticos. Entretanto, como é possível montar decks com um playset de snapcaster mage e outras cartas (bem) mais baratas, pode ser que ele fique mais cara que a Stoneforge em seus dias, pois o “total do investimento” no deck, digamos assim, pode ser menor do que o de um Caw Blade (Stoneforges, Jaces, Espadas, Batterskull...)

Liliana of the Veil: Provavelmente esta carta é uns 30-40% por cento do que as pessoas queriam que ela fosse (Jace, TMS). Muita gente viu Liliana no spoiler e achou um lixo. Eu achei (e ainda acho) boa. Dai, um belo dia, mundo acordou e cismou que: “Nossa, Liliana é muito máquina no tal do 'solarflér”. Pode vir a ser (um dia). Ainda é cedo para dizer que ela é desnecessária no momento, mas já me sinto confortável para dizer que ela não é staple no standard (pelo menos, não tanto quanto Snapcaster Mage). Ver o segundo colocado no SCG Open e o primeiro colocado no GP Brisbane “chegarem lá” sem ela foram os fatos que me deixaram confortável neste posicionamento. Com o andar da carruagem, pode até ser que um dos Garruks seja considerado o-mais-próximo-de-Jace ao invés dela, já que Garruks aparentemente estão vendo mais Top1s nesse estágio inicial.

Garruk Relentless: Muitos decks – GW tokens especialmente incluído – usam Garruk para se recuperar depois de um rapa (slagstorm, Day of Judgement, etc.). Embora o Ramp se dê melhor com Garruk, Primal Hunter, muitos outros decks usam Garruk Relentless para consertar algo que parece estar muito errado, como não usar Snapcaster Mage ou Kessig Wolf Run + Inkmoth Nexus no deck. Talvez uma das únicas cartas dupla face que estão vendo muito jogo fora do draft/selado (Mayor of Avabruck que transforma fácil entrando por pod e Reckless Waif em alguns mono reds seriam as outras).

Kessig Wolf Run: Se der para colocar no seu deck, coloque. RG para dar +0/+0 e atropelar para um Wurmcoil Engine da vida é uma utilidade para aquela birds no late game. XRG para um meio-overrun que não pode ser anulado também é muita coisa. Deve regular de preço com o Valakut e ser bem popular, pois ambos os decks que giravam em torno dessas cartas têm muitos cards em comum (Primeval Titan, Green Sun's Zenith, etc.).

Temos, portanto: RG/G Wolf Ramp (provavelmente a lista mais próxima do definitivo); UB control (tem mais remoções para lidar com 4 Inkmoth Nexus); Esper (tem menos remoções do que UB e pode ter problemas com os Nexus); Mage Blade (se não fosse a ficha de golem com iniciativa que para os aggros...); Red Deck Wins (já ganhou muita coisa esse mês, mas está em declínio – mesmo assim, bom lembrar que ele existe, pelo menos antes do top 8); GW Tokens (matar rápido decks preocupados demais uns com os outros, gostei do 2º colocado em Brisbane, quer ver o de Nova York).

O restante dessa postagem é uma coletânea de assuntos aleatórios

Prestidigitação e cards de dupla face

Por hábito, mania ou paranoia, comece a olhar o card curinga que o jogador alvo usou para fazer mágicas daqui para frente. Pode ser que nesse mundo cheio de gente bacana de boa-fé que é sua amiga, por algum acidente do destino, um sujeito use o card curinga com a bolinha do Gatstaf Shepherd marcada para descer um Garruk Relentless, removendo o card curinga da frente do seu nariz antes de você conferir qual bolinha está marcada. Não que as pessoas estejam usando muita coisa além de Garruk2F no standard, mas é bom ficar de olho nos limiteds da vida...

Terrenos Inimigos em Innistrad

Os terrenos de M10 de cores inimigas não fazem parte do contexto de Innistrad – eles foram entocadas lá, porque uma hora precisariam sair. Isso significa que como regra para as próximas edições do bloco o foco em cores aliadas será mantido – sem lobisomens azuis por enquanto... (fonte).

Esses terrenos precisavam estar em algum lugar – e logo, porque parece que a Wizards os encara como as “novas old-duals” (terrenos que consertam sua base de mana sem te fazer procurar números num d20 todo turno ou dar um Raio em si mesmo para entrar em jogo). Para mim, isso é mais um sinal de suporte ao casual – Innistrad não precisa desses terrenos, talvez nem o standard precise (salvo raras exceções), formatos eternos dão risada deles, mas o Magic como um todo precisa dos “terrenos M10 – cores inimigas”.

Cards legais x Cards bons

Se eu achei que ISD ia vender? Até achei, no outro artigo, por causa do flavor. Eu só não achei que ia vender tanto...  A quantidade de jogadores únicos no pré-release de ISD (é, Innistrad não é “INN”) foi 132% do número de jogadores únicos no pré-release de SOM. O que quer que tenha dado certo (talvez o flavor, talvez a possibilidade de vir “mais cartas raras” com uma carta dupla face no lugar de uma comum, o fato de a box aberta parecer que a Liliana está com boosters no colo, etc), deu muito certo. (fonte dos números: Aaron Forsythe no twitter, 04/10 - @mtgaaron).

Alguma coisa parece ter dado muito certo no reino da Wizards of the Coast. Provavelmente, o tal do “design de cima pra baixo” (cartas criadas a partir de um tema ao invés de um tema enfiado nas cartas) deve virar uma regra daqui pra frente. E tomara que essa distribuição de raridade nos boosters (com uma carta-sei-lá-o-que,-que-pode-ser-rara no lugar de uma comum, como foi feito em Innistrad e Caos Planar) continue.

O mais interessante é que para vender, ISD está apelando para o flavor (e, talvez, para fotos de vampiro sem camisa), ao invés de simplesmente fazer uma meia dúzia de power gamers criar uma LER abrindo boosters em busca de Snapcaster Mage, Garruk2F e Liliana of the Veil.

Este que vos escreve, por exemplo, amante de formatos casuais, elejo como minha carta preferida Village Cannibals - mesmo sabendo que não é uma carta exatamente boa. Sem dúvida, é a carta mais legal de magic,  excluindo-se Cabrito Montês (maior criação humana de todos os tempos).

Embora “não exatamente competitiva”, a carta é interessante. Se a ideia por trás dos tais cards colecionáveis for exigir que existam cards ruins nos sets para a coisa toda vingar, pelo menos que sejam cards ruins legais.

O pensamento da quinzena é: o que seria do T-Rex se todo dinossauro fosse igualmente legal? E se você gosta mais do Brontossauro por causa do desenho “Em busca do Vale Encantado” por algum motivo, é um direito seu, mas fica outro pensamento: não perca tempo dizendo que “o T-Rex nem é tão legal assim”, que “Deus/Evolução acabou com a graça dos dinossauros quando fez o T-Rex tão legal e overpower”, que “acabou com a variedade dos dinossauros quando surgiu o T-Rex”, etc.

Todos têm direito a ter opinião, mas T-Rex é tipo um “legacy staple” do planeta Terra – ele tem resultados a favor dele. Mesmo assim, dinossauros como um todo são legais e, no final do dia, talvez seja isso o que mais importa.

PS: Porque quando você usa metáforas com dinossauros, pessoas sabem que você está falando sério.

PS2: Eram os T-Rexes Tarmogoyfs?



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