terça-feira, 4 de outubro de 2011

Filosofando o Magic – Postagem aos moços



Filosofando o Magic – Postagem aos moços



Nariz de cera

“Por que isso agora?” - Poderia o mais crítico leitor indagar. Essa semana é o lançamento de Innistrad, coleção ambientada num cenário que nos lembra um filme de terror clássico, com vampiros, lobisomens, “fantasmas”, etc (existia até outra postagem sobre Innistrad, que fica para o futuro próximo se Urza-lá-no-além assim o quiser).

Isto posto, é provável que Innistrad atraia mais jogadores iniciantes do que o habitual, por isso decidi escrever uma postagem direcionada aos iniciantes ao invés de escrever uma postagem explicando porque os vampiros vermelhos virados no cão são bons e achando estranho como os humanos, pobres vítimas numa noite sem fim, terminaram com um bom deck Standard verde e branco com Mirran Crusader, Hero of Bladehold, etc.

Sugiro que mesmo os que não são mais iniciantes leiam a postagem até o fim – ela não é tão grande e sempre pode aparecer uma dica. O conselho, que normalmente fica no final da postagem, hoje veio para o começo, direcionado aos desistentes, sem deixar de incentivar os iniciantes: Todo dia de manhã, todo mundo é iniciante de uma certa forma... (Ou “todo dia de tarde”, se você acorda depois do meio dia).

Ah, é! O assunto...

Obs.: Esse post está ficando com mais parênteses que o normal. Não é o ideal fazer isso quando se escreve, mas estou fazendo para ir explicando alguns termos para quem eventualmente os desconhece.

“Vosso coração, pois, ainda estará incontaminado; e Deus assim o preserve.” - Rui Barbosa, Oração aos moços.

Na minha época de inciante (1997) já existia um ambiente competitivo, mas ele era mais “distante” do que ele é hoje. Nos tempos de outrora, não existia internet (existia um troço chamado “internet discada”, conhecida carinhosamente como “não-internet”) e você não assistia os vídeos dos torneios ou tinha tanto acesso às listas dos campeões, “atualizadas” em tempo real nas listas de discussão.

O resultado prático disto era que tínhamos jogadores veteranos, com seus mais de dois anos de experiência falando sobre White Weenie (que foi o primeiro “decklist” nos moldes atuais) e explicando porque algumas cartas não eram tão boas quanto pareciam.

Hoje em dia, o cenário é um poucochinho diferente: o jogador iniciante chega para jogar e um jogador “com mais experiência” fala que o deck dele não ganha de ninguém, que ele deveria netdeckar (copiar deck da internet) uma lista budget (econômica), que sem o terreno “X” não dá para jogar, que deck de uma cor só é uma porcaria porque toda cor tem suas deficiências, etc. Daí o jogador vê o preço dos decks competitivos (os decks que possuem melhores resultados em torneios) e; feliz membro da geração Y, Z, Aa, acaba pensando em desistir de tudo.

Resumidamente – jogadores com mais tempo de jogo (não necessariamente “mais experientes”) vendem a ideia de que o Magic é uma competição ao invés de um jogo ou coleção. É assustador perceber que existem jogadores que nem tem DCI (é um número, pra acompanhar seu histórico de jogador competitivo) e acreditam que Magic e só jogar com deck que faz top 8 em Pro Tour/Nacional e nada mais.

Magic é muito (mas muito) maior do que um Top 8 (os oito melhores decks) Standard (formato sancionado que utiliza os dois blocos mais recentes e uma edição básica). Assim, se você não gosta de standard ou não tem um deck competitivo no início, não significa que você está proibido de se divertir.

Em todo lugar vai ter gente rude, gente interesseira, gente que não é exatamente um modelo de caráter, gente que vai precisar ouvir Like a Rolling Stone do Bob Dylan, gente que é um verdadeiro desperdício de oxigênio ambulante, gente legal, amigos para a vida inteira, etc. Informação importante: alguns jogadores pseudo-competitivos  conseguem ser insuportáveis em jogos ou trocas, até porque Magic é o tipo do troço que desperta paixões, mas fora do Magic eles até que são pessoas legais. Isso significa que não é porque “fulano falou tal coisa” ou “fulano fez uma troca ruim pra você” que o Magic não é o seu lugar – o Magic também é maior do que os fulanos que fazem ou falam coisas por aí (eu e todos os outros milhões fulanos incluídos).

No final do dia, se para um fulano entre os milhões o Magic for apenas um hobbie, uma coleção ou algo com o que ele não está disposto a gastar muito dinheiro, sem problemas, isso não faz dele um criminoso ou coisa parecida. O fato de alguém não pensar como você não te dá o direito de tratá-lo mal, nem te obriga a excluí-lo de alguma forma.

“Mas e se o Magic pra mim for competição?” (ou como começar uma coleção de cards)

Este que vos escreve é uma pessoa dada a experimentos. Pois bem, desde o lançamento de M12 joguei alguns drafts (o que é draft? Clique-me) com uma ideia na cabeça – separei as cartas que draftei e abri em premiação e tentei montar um deck com os “espólios”. Até que deu certo resultado e, se eu estivesse começando de novo no Magic, provavelmente faria desse jeito – até porque você pode jogar sem necessariamente ter cards antes do draft. Você joga com as cartas que escolhe no draft, naquele draft, como se uma vida nascesse e morresse naquele evento. Passo a passo:

1 – Decidi que ia jogar draft, só que tentando ganhar os drafts. Isso é um passo importante, já que eu não estava pegando cartas pensando em usá-las em um deck fora do draft ou para completar alguma coleção – as cartas do draft, vejam só, também são usadas no draft.

O raciocínio por trás disso é simples: pelo menos em M12, salvo raríssimas exceções, você vai acabar pegando as cartas mais caras porque ou elas são significativamente mais poderosas do que as outras (como planeswalkers) e vão ganhar alguns jogos para você ou, pelo menos, não vão ganhar jogos para outras pessoas.

As outras cartas “atraentes” normalmente custam em torno de 10 reais no mercado secundário. Arriscar perder o draft por causa de uma carta dessas não faz muito sentido, pois se você quer ficar com ela tanto assim seria melhor comprar os boosters e a carta – ou só as cartas. Em outras palavras, pegar a incomum que vai deixar seu deck “redondo” e pode te colocar na zona de premiação é economicamente mais útil do que pegar uma rara de 10 reais. Você até pode pegar essas cartas, desde que tenha certeza absoluta que isso não vai prejudicar seu deck. Se você está jogando drafts, tente ganhar os drafts - você vai acabar montando uma coleção depois por via de consequência.

2 – Comecei a ler sobre draft – como montar os decks, o que pegar, o que não pegar, quais são as remoções, as bombas, first picks (não vou explicar os termos de propósito – ideal seria que quem não conhece esses termos lesse vários textos sobre drafts – se possível de autores diferentes, para aprender sobre – além disso esse artigo não é sobre drafts, isso é apenas uma divagação longa). Encurtando a história – 23 cards, 17 terrenos, ter cartas que “matam” outras cartas, mais de 10 criaturas e ter cartas distribuídas pelos custos de execução, com um número ligeiramente maior de cards de custo baixo.

3 –  Li o “spoiler” (a lista com o nome de todas as cartas, de preferência com imagens de uma edição) para conhecer as cartas e pensar sobre elas. Olho nesse site aqui - no link coloquei Innistrad em portugês como exemplo.

4 – Treinei algumas horas num simulador de drafts - http://magicdraftsim.com/ - nesse site, que disponibiliza a edição mais nova antes do pré-lançamento (já tem innistrad pra gente treinar), é possível simular um draft, pois uma base de dados – ou “computador” - vai escolhendo cartas pelos oponentes com base nas escolhas que as pessoas costumam fazer, num ranking. O resultado acaba ficando semelhante a drafts em lojas locais (o computador, assim como alguns jogadores casuais, passa coisas para você que ele não deveria passar). Depois de escolher as cartas, você pode simular a montagem de um deck para ver como ficou. Existem outros sites que requerem cadastro, mas eu usei esse para treinar. Pra que treinar? Para acostumar a reconhecer as cartas pela arte e saber o que elas fazem só de vê-las de relance. Assim você não precisa pegar uma carta correndo e descobrir quão ruim ela é só na hora de montar o deck.

5 – Jogue o draft. Depois que você chegar em casa separa as cartas e daí você pensa no seu deck e como o que você conseguiu no draft pode te ajudar.

Você poderia simplesmente abrir boosters ou comprar cards no mercado secundário, mas o draft é uma tremenda escola de ambiente competitivo e montagem de decks. Além disso, é uma boa maneira de se autoavaliar (e porque não, pensar pequeno e avaliar os outros, porque a gente tem que aproveitar a vida de vez em quando, né?), pois o fato de fulano ter milhares de cartas em casa não importa num draft, competição na qual todos tem acesso ao mesmo número de cartas. Se você quer jogar torneios e ter um DCI (e usá-lo), draft é muito recomendável.

Parafernália

Para jogar Magic, você precisa de cartas (sério?). Na seção anterior falamos em como consegui-las. Além disso, você vai precisar de:

- Terrenos: eles também são cartas, mas são meio “diferenciados”. É bom ter pelo menos uns 25 de cada, para poder montar qualquer deck (meu sistema pessoal é ter sobrando uns 20 terrenos de cada, além dos que eu uso nos decks e dos 17 de cada que deixo separados para draft).

- Protetores: o que se usa para chamar o Capitão Planeta! Brincadeira (digo, piada de velho...). São plastiquinhos usados para proteger as cartas e torná-las embaralháveis. Várias marcas e preços. Uso os coloridos opacos para os decks “competitivos”, os transparentes mais baratos para decks casuais (tenha um estoque de reserva, pois estes estragam fácil) e abomino os estampados como se eles fossem uma morte lenta e dolorosa (eles ficam arranhados, o que pode servir para algumas pessoas dizerem que as cartas estão marcadas e, pra mim, estampado = brega).

- Play-mat: é um mouse pad gigante, que serve para colocar em cima de superfícies (normalmente mesas, mas isso não é uma regra) e jogar sem arranhar ou danificar os protetores. Existem versões sem estampa, mas são mais difíceis de achar do que dinheiro no chão ou gente feliz (moedas e gente feliz de facebook não valem, isso todo mundo acha). Assim, por total falta de opção, uso um brega estampado, com números representando pontos de vida na lateral, para não precisar ficar procurando números em dados.

- Dados: Servem como marcadores, inclusive de pontos de vida e para ouvir a piadinha mais velha, que não reproduzirei aqui. É bom ter alguns por perto. Recomendo 2 dados de 10 faces para quem vai marcar vida (dezena e unidade) e “N” dados de 6 faces para marcadores (+1/+1, -1/-1, lealdade...), pois é mais fácil de encontrar números rapidamente nesses dados do que nos d56 da vida...

- Caixas: O hobbie de magic fica esquisito nessa parte aqui – você nunca mais vai ver uma caixa da mesma maneira. É bom ter acesso à caixas de papelão para guardar cards (de preferência sem abas que “entrem” na caixa danificando as cartas – caixas de presente são boas para isso) e caixas de deck para guardar decks. Eu uso deck boxes da ultra pro, das coloridas que parecem ter uma textura, pois elas são duráveis (estranhamente, mais do que as caras), baratas e cabem facilmente em outras caixas. Eu não gosto de caixas com nomes pomposos, de metal (que entortam e enferrujam), caixas com velcro, com imã, etc. As caixas estampadas de plástico também ficam feias (especialmente, arranhadas) com o tempo.

- Pasta e folhas de plástico: Bom para guardar e especialmente para transportar cartas. É bom ter pelo menos um portifólio pequeno para guardar cards para trocas.

Um produto interessante (e lamentavelmente caro) é o tal do fat pack – ele vem com terrenos básicos, uma caixa boa (que eu carinhosamente chamo de “caixa de caixas”, pois algumas caixas de plástico encaixam perfeitamente ali, evitando que elas fiquem jogadas na mochila), um dado e alguns boosters. É um produto interessante para iniciantes, embora não-indispensável.

Estado de conservação dos cards

Cards near mint são cards que parecem ter acabado de sair do booster. Os cards com alguns defeitos (bordas desgastadas, riscados, arranhados, etc.), desde que reconhecíveis, podem ser usados em torneios, de preferência em protetores opacos. Normalmente, esses cards são mais baratos que os cards em perfeito estado de conservação. Nesse caso, eu prefiro cartas usadas a cartas em perfeito estado.  Explicando: Se você jogar com um card, ele deixa de ficar em perfeito estado com o tempo (mesmo dentro de protetores). Assim, se a ideia é colocá-lo num protetor para jogar, ele não precisa estar perfeito (apenas jogável) – a diferença é que ele custa mais barato (ou pelo menos, deveria custar) no mercado secundário e você economiza dinheiro.

Lá fora, algumas lojas vendem cards played em tão bom estado, melhor até que os near mint daqui que me mandam de vez em quando, que um leigo tem dificuldades em dizer onde está o defeito – estão praticamente perfeitos e custam mais barato do que os near mint. Se você vai colocar os cards numa pasta com cuidado e deixá-los na, como coleção, é legal ter near mint. Se for para colocar dentro de caixas, carregar em bolsos da mochila, colocar em protetores opacos e jogar, os cards “machucadinhos” funcionam.

Essas foram apenas algumas dicas para iniciantes, quem sabe com o tempo teremos outras mais.

Links:

- Oração aos Moços – Rui Barbosa (com link para o texto integral): http://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o_aos_Mo%C3%A7os
- http://magiccards.info/search.html – site para a pesquisa de cards, que permite buscas pelo nome em português.
- Formatos: http://www.wizards.com/Magic/TCG/Resources.aspx?x=mtg/tcg/resources/formats
- Regras: http://www.wizards.com/Magic/TCG/Resources.aspx?x=magic/rules

Fim


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