terça-feira, 19 de julho de 2011

Pauper to the people!

Filosofando o Magic - Pauper to the people!

 


Por Hélio Augusto






Introdução (ou nariz de cera)

Eu ia escrever um artigo resumindo as regras do formato pauper, mas não vou fazer isso. Isso é coisa que se acha na internet e, no final das contas, muitos acabam usando regras da casa por não ser um formato oficial fora do Magic Online.

Não vou falar de regras, vou falar de coisas que existem apenas nas almas e nos corações dos apaixonados por este formato; muito além da frieza de simples regras, produtos de mãos humanas. (Não sei se tem outro, mas na falta, o “apaixonados” sou eu).

Pauper por que?

Não dá para sair dizendo por aí que “Pauper é um formato barato”: Chain Lightning e Sinkhole não concordam com essa afirmação. Comparado com Legacy e Vintage, sim, ele é mais barato - mas daí não vale – tudo é “mais barato” se comparado com outra coisa “mais cara” - então, sim, é um formato mais barato, mas ainda sim pode requerer algum investimento, seja em cartas, seja em materiais (comprei mais sleeves para deixar os decks montados).

Confesso que não tenho muita experiência com alguns formatos populares hoje em dia como Elder Dra... Commander e Cube Draft (que aparentemente são bem legais), mas pelo que eu já joguei, vi e ouvi, pauper é o formato que mais me lembra o magic “de antigamente” - o dos tempos do T2 miragem + quinta edição + tempestade, do surgimento dos “jogos em 3D” (hoje tem jogos mais em 3D do que os que eu estou falando), da goiabada cascão de caixa, da época em que internet (e não o magic :) ) era coisa de rico. Eram tempos felizes... (dos quais ninguém quer saber).

É também um formato interessante porque não existem muitas cartas capaz de decidir o jogo sozinhas (p.e. Jace, o Escultor de Mentes). Claro, existem combos, storm, mortes no terceiro turno, etc., mas isso não é a essência da diferença entre pauper e os demais formatos. Assim, se você tem rancor por cartas míticas e pela especulação no mercado secundário (e também do desperdício de recursos naturais, desastres causados indiretamente pelo homem e das segundas-feiras em geral), dê ao pauper uma chance.


Cartas comuns


As cartas comuns já tiveram um approach mais filosófico (segundo um artigo do Richard Garfield, em Arabian Nights, as cartas comuns eram os elementos que apareciam com mais frequência nas lendas das mil e uma utilid... noites – eram mais comuns – como Deserto e Salteadores do Deserto). Hoje elas são desenvolvidas, também, para tornar mais viáveis os formatos limitados, como o draft e o selado, representando o que vai aparecer mais no jogo específico.

Fato é: cartas comuns são diferentes de raras e incomuns na sua essência, no seu design ou mesmo no seu significado. Veja por exemplo as permanentes lendárias recentes e planeswalkers, que não são impressos como cartas comuns (existem “lendas” comuns em Legends).

Isso torna o pauper diferente: essas cartas mais comuns, mais simples, mais simplórias, mais “pauper” é que dão uma abordagem diferenciada para o jogo, o que torna o pauper legacy algo muito diferente do legacy comum, por exemplo.

Possibilidades

Embora no pauper também existam alguns decks melhores do que outros (muitos por falta de banimentos, dizem as más línguas) circulando na internet, o número de decks viáveis é assombroso. Nos formatos que aceitam cartas de qualquer raridade, é comum os decks serem construídos ao redor das cartas raras ou incomuns – e existem menos cartas raras do que cartas comuns (por isso elas são... raras) e costumam ter efeitos mais complexos, maiores ou simplesmente diferenciados. Nesses formatos, cartas comuns e incomuns acabam ficando com aparência de coadjuvantes das raras e míticas (acaba sendo mera aparência, pois há um número significativo de decks nos quais essa aparência não existe como o Burn no legacy que usas cartas raras como acessórios e os decks de Shrine – que se dizem vermelhos - no standard, que usam cartas incomuns).

Em palavras mais simples: existe um número considerável de decks tier 1, muitos decks tier 2, decks rogue que conseguem bons resultados e não tem decks que usam 2 Stoneforge Mystic e uma espada de cada.

Além disso, as cartas comuns não contam com aquela ajuda que as cartas incomuns dão nos outros formatos, elas tem que ser boas por elas mesmas e boas em conjunto. Além disso, a esmagadora maioria das criaturas comuns minimamente úteis tem resistência menor ou igual a 4, o que torna a remoção mais simples.

É comum, por exemplo, as pessoas terem vários decks pauper montados em virtude do acesso a um maior número de cartas comuns sem ter que passar fome para isso (eu tenho uns 6 montados, com sleeves...), coisa que é menos comum em legacy e que contribui para o formato ficar menos cansativo.

Resumidamente, o deck tem que ser bom no conjunto e existem diferenças o suficiente para justificar uma partida de pauper ao invés de uma partida de Legacy de vez em quando.

Chaves para o sucesso

No meu tempo (aquele do T2 com MI-5E-TE), eu lembro que existia pauper (ou talvez apenas peasant ou coisa parecida com outro nome), só que naquela época o formato não era tão popular como é hoje – talvez nem fosse um formato propriamente dito.

Acho que boa parte do sucesso atual do formato deve-se ao aumento do número de cartas comuns multicoloridas e híbridas, além de terrenos que facilitam o uso de mais de um cor – os terrenos do bloco de Ravnica que adicionam manas das cores de cada guilda, Terramorphic Expanse e Rupture Spire por exemplo.

Essas e muitas outras coisas tornaram o formato viável e eu aconselho: vale a pena tentar jogar, pelo menos, já que é bem provável que você tenha um deck pauper esperando apenas para ser reunido. Pode parecer um formato simples ou uma perda de tempo, mas lembrem-se: a parte boa de viver é encontrar surpresas onde menos se espera – e no pauper eu encontrei diversão que eu não via há tempos.

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