terça-feira, 12 de abril de 2011

Listas próprias

  (Por que elas não dão certo)
Olá!
Meu nome é André (andre_barrozo na Ligamagic). Poucos me conhecem, pois eu não sou uma figura frequente nas discussões do fórum, e nem em GPs, PTQs, GPTrips da vida. Há razões (alheias à minha vontade) para eu não ter uma participação mais ativa na comunidade do Magic, quem sabe em uma outra vez eu explique melhor.
Hoje vou falar de um assunto que perturba/chateia/desanima/atormenta uma boa parte dos jogadores em suas lojas locais: listas próprias (e por que elas não dão certo). Estarei direcionando o assunto ao formato T2, pois é onde eu vejo mais ocorrências deste tipo.
História Triste
Todo mundo quer quebrar o ambiente, encontrar a tech que ninguém ainda descobriu ou testou, usar aquela carta que todo mundo diz que é crap mas que você sabe que lá no fundo ela tem potencial. Você pesquisa as cartas disponíveis no ambiente, imagina a interação entre as selecionadas, monta o deck no MWS para ver se funciona, ganha alguns jogos e culpa o shuffler do MWS pelos que você perdeu. Ótimo, o deck está muito forte! Aí você leva o deck pra sua loja local, enfrenta aquele cara que copiou a última lista do Caw-Blade que saiu na net. E você perde sem nem ter assustado seu oponente. Joga de novo, e perde de novo, sem sequer ter alguma chance. Aí você decide testar contra o Valakut. E aí antes mesmo de você começar a fazer algo, já leva 12 de dano só do Valakut, fora os 6 que estão vindo do ataque do Titã.
Aí bate aquela tristeza porque você pensou no deck, trabalhou pra caramba nele, treinou, comprou as cartas... e chega dois netdeckers (caras que copiam o deck da net) e passam o carro... aí você bota a culpa na Internet, diz que os netdeckers não sabem nada de Magic porque não sabem criar decks, só sabem copiar, e mais e mais mimimis.
Mundo injusto, meuuuu... será?
Antes de tirar o deck do shield e vender todas as cartas ou apagar o deck do MWS, você parou pra pensar o que você está fazendo errado? Por que o seu deck não deu certo?
Antes de mais nada, você precisa definir seus objetivos. Qual a causa, motivo, razão ou circunstância que levou você a montar esse deck, com estas exatas 75 cartas? Você quer montar o deck só por causa de um determinado tema (muito comum se tratando de Infect)? Ou você só quer ganhar o campeonato que está lotado de decks Tier 1 copiados da net com uma lista própria, só pra esfregar na cara dos netdeckers?
Irei listar alguns dos pontos que você deve levar em consideração ao criar uma lista própria (ou modificar sensivelmente um deck) para jogar os FNMs e campeonatos locais. Note que dependendo dos seus objetivos, os tópicos podem se aplicar ou não.
1) As cartas da lista são as melhores opções para aquela função? Phyrexian Rebirth pode parecer interessante, mas há um porquê de não ser usada no lugar de Day of Judgement. Deprive, Cancel e Mana Leak são cartas que tem a mesma finalidade, mas que na prática, causam efeitos completamente diferentes no jogo. Verifique se as cartas que você escolheu para a sua lista são as melhores opções para aquela finalidade.
2) A sua lista é influenciada pelo preço das cartas? Uma pequena variação do ponto 1: sua lista foi montada baseada no preço das cartas ao invés da habilidade de cada carta? Terramorphic Expanse no lugar de Fetch Lands? Então infelizmente aceite o fato de que você terá desvantagens contra o povo que tem o deck fechado. É crianças, é cruel esse tal de Magic, infelizmente.
3) O seu deck realmente tem algum potencial? Se você criou, testou, e mudou mil vezes aquela lista que roda em torno do Knowledge Pool, que na teoria funciona que é uma beleza, mas na prática o deck só roda se o oponente for um cone, existe a (grande) possibilidade de que o deck não seja (nem nunca será) bom. Neste caso, é melhor aceitar a derrota e descartar a ideia por completo. No entanto, não esquente a cabeça se os últimos 10 decks que você criou não deram certo. Pode ter certeza que os decks Tier 1 do ambiente surgiram após inúmeras tentativas fracassadas de pro-players.
4) As cartas são “efetivas” ou “divertidas”? Quando eu jogava de UW quando Alara ainda era T2, eu era louco pra colocar um Admonition Angel no deck. Criatura 6/6 Voar e dá um Oblivion Ring no landfall... OMG, que bomba! A questão era: pra quê eu precisava exatamente do anjão? Pra tirar criaturas, eu já tinha 3 Day of Judgement e 4 Path to Exile no deck. Para remover permanentes, eu tinha 2 Oblivion Ring, e era mais do que o suficiente, pois ainda tinha Negate e Cancel no deck. Neste caso, o Admonition Angel era mais divertido do que efetivo (e eu já tinha Baneslayer Angel no deck como finisher), então coloquei cartas mais úteis no lugar. Quando for colocar aquela carta que você curte e ninguém usa, ou aquele combinho legal e engraçado que você acha que irá impressionar no deck, pense se ele(a) é realmente importante e não possa ser substituído por cartas mais efetivas
5) O seu deck tem um match razoável contra vários decks do ambiente? Não adianta montar um deck que ganhe do principal no ambiente, e perca todos os outros. Selecione os principais matches que você acredita que terá seu ambiente no próximo campeonato, e treine com o deck contra estes matches, fazendo as mudanças necessárias e entendendo as jogadas. Um deck que eu vejo com este problema é o Naya que apareceu nos últimos campeonatos da StarCityGames: ele tem um match razoável contra Caw-Blade, mas tem um match horrível contra Valakut e um bem difícil contra RUG.
Mutação Instável
Tenha em mente que o que define se o deck é bom ou não é o metagame (conjunto de decks dominantes em um determinado local e/ou época), que está sempre em constante mudança. Portanto, esteja sempre ligado nos últimos campeonatos grandes (já que o netdecker sempre vai querer testar uma lista nova que aparecer em um Top 8). E caso você seja bem-sucedido com uma lista própria em algum campeonato, prepare-se também para o fim o efeito surpresa do seu deck. Faça testes, mude o deck no que for preciso, avaliando sempre as possíveis substituições e não se engane com bons resultados contra decks randoms . Peça sugestões, esteja apto a ouvir as críticas e aceite quando for claro que uma ideia sua não for boa.
Considerações Finais
Do meu ponto de vista, não há nada de errado em copiar listas bem-sucedidas da internet, e fazer os ajustes de acordo com o metagame. Se o seu objetivo é ganhar, e você acredita que determinada lista é a melhor, não vejo motivos para não usar esta lista nos campeonatos. Agora se o seu intuito é ganhar campeonatos criando listas próprias, você terá muito trabalho pela frente. Os deck Top Tiers são desenvolvidos por jogadores que vivem de Magic e que testam dias e dias uma determinada lista.
Agora se você gosta de criar decks sem compromisso de ganhar campeonatos, somente para jogar for fun, sinta-se a vontade para criar os decks mais doidos e divertidos. Só não vale seus amigos jogarem com decks de internet!
Esperam que tenham gostado do tema escolhido e do artigo, e estou aberto a sugestões de novos temas e outras críticas.
Até mais!
andre_barrozo

9 comentários:

  1. Eu vou sabado agora na Devir com um pensamento de quebrar o field justamente essas informações ai acima.
    A diferença é que eu estou treinando infinito no mws que não é referencia nenhuma.
    Muito bom artigo.

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  2. Excelente andre. Muito bem redigido, além de tocar num ponto crucial de Magic. Acho que construir decks é um trabalho muito divertido. Ex: '' Ah vou fazer um deck de living weapon'' ou ''Vou fazer um deck de anjos''. Todos querem ter um deck divertido, e divertido pq você escolheu o tema/mecânica.

    Mas, também, todos querem um deck bom. Acho o Valakut escroto, chato e sem graça. Mas ainda assim ele é um Top Tier, que ''impossivelmente'' será derrotado pelo meu ''deck de constructos''.

    O tema é polêmico, mas foi muito bem tratado no seu artigo.

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  3. Excelente artigo amigo! Eu sou adepto de alterar listas, nada contra as listas da internet (até porque geralmente são muito boas), mas não curto o CTRL+C/CTRL+V simplesmente, sempre mudo algo nas listas, principalmente no SB, acho importante repensar o ambiente antes de simplesmente montar a lista igual e ir pro abraço.
    Tbm tenho o costume de montar decks inusitados, sobretudo Legacy, o povo aqui da região com certeza se lembra do Monowhite Tédio ou do Monogreen Mill :P, o problema é que eles são mais 4fun do que competitivos (embora eu goste muito do monowhite huauhauhauha).

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  4. Obrigado pelos comentários! Tentarei trazer sempre assuntos interessantes, não somente focando no T2 competitivo, mas também nos demais formatos, inclusive 4fun

    @Duley: Boa sorte com a sua lista no sábado! Passe o carro em todos os Caw-Go e RUGs que vierem pela frente =)

    @Bruno: esse é o ponto... eu odeio o Valakut, mas ele ganha =/... mas curto muito criar listas.. tenho que deixar de ser medroso e colocar as listas em prática huahuahuahaua

    @Duelistaguara: Huahuahauha ri litros com os nomes dos decks... fiquei curioso pra saber as listas

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  5. Cara, parabens pelo tópico. Apesar de eu não concordar com algumas coisas, você tocou num ponto muito importante do Magic atual.
    Não vejo com bons olhos essa prática de copiar decks ou mesmo de fazer retoques nos decks da internet. Acho que o jogo perde boa parte da graça assim. Cada deck tem mais ou menos a cara do dono(de quem estudou, testou e gastou para monta-lo). Perco um pouco da emoção quando vejo meu adversario usando um deck caro de estrategia retirada da internet.
    Tudo bem que existem algumas combinações mais lógicas como decks tribais e tudo. Mas existem muitas cartas e muitas possibilidades com a mesma linha de pensamento.
    Penso que montar seu próprio deck é um sinal de respeito a própria inteligencia e aos adversários.

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  6. Primeiramente, interessante ver dicas de como montar um deck ao invés de ver mais críticas aos netdeckers. Acrescento uma dica: leia sites especializados.

    Acho que o assunto rodeia em torno de:

    1)Quanto tempo demora para montar um deck?
    Muito - e se vc não tiver um meta adequado para testar, tão bom quanto o netdeck-maker (tipo o MOL e alguns pro player para testar seu deck). Sem tempo + sem mol (ou meta de altíssimo nível) = seja um gênio, dê sorte ou não vai rolar.
    2) O que é um netdeck?
    É um deck você vai lá, monta e joga. Vai rolar em boa parte dos metas e você vai ser feliz.

    Sabe, é meio fácil crucificar o cara do netdeck (e eu entendi que o autor do artigo não estava crucificando, não que seria um problema se ele estivesse :D,) mas se ele não tem tempo nem mol, a coisa fica difícil. Chato de admitir, mas nem todo netdecker o é porque é vagabundo. Meio complicado mandar o cara não jogar se ele não for deckbuilder...

    Eu acho assim "a":
    Standard - eventos maiores, campeonatos, etc. - netdeck sem dó.
    Selados, drafts = matar a vontade de montar deck um deck só seu.

    Eu acho assim "b":
    - Cada um faz como acha que deve e deveria lembrar que, se o outro está fazendo diferente, não significa que ele está errado. Certo foi o Garfield (o Richard, não o gato), que inventou o jogo e ficou rico.
    - Você até pode até achar que magic não depende de sorte ou dinheiro, mas isso não impede as cartas de custarem caro, o jogo de ter sido desenvolvido por um matemático e existirem probabilidades a rodo para analisar na montagem de decks, penalidades por embaralhar mal o deck, etc.

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  7. Hélio passando pra matar a saudades

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  8. Ave Fênix!!!

    Concordo completamente com o mano andre, sempre jogei com deck próprio(dificilmente ganhei algo, mais ganhei)

    Hélio vc tem uma certa preguicity pra monta deck, mais sabe monta :)

    By Tarzan

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  9. Concordo plenamente, embora, (finalmente) meu deck esteja ganhando de Valakuts (quase sempre) e equilibrado com os Vamps RB.

    O deck próprio que eu montei levou séculos pra ficar pronto (e ainda não está, graças ao preço das lady gagas e fetchs). Como eu só jogo aos finais de semana, toda semana eu chegava com várias mudanças, a ponto de começarem a sugerir que não funcionava pq eu ficava mudando demais, mas afinal, se não deu certo, tem que mudar.

    Seria interessante um artigo voltado para "como montar seu deck", dando dicas pra quem quer montar um deck próprio; a principal, na minha opinião, é: "Admita seus erros e mude quando necessário".

    Metagame, quem está no comando do outro deck, entre outros fatores, sempre contam, claro, daí a necessidade, também, de testes intensivos... afinal, se fosse só inventar e partir pro jogo, o metagame seria indecifrável...

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