segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Conceitos Básicos: Interatividade no Magic

Bom, nesse segundo artigo aqui pra Liga Arena, resolvi falar de um assunto diferente: a interatividade no Magic, iniciando um ciclo de artigos sobre alguns conceitos básicos do jogo.

Um conceito pré-estabelecido e bem difundido no meio do Magic é o conceito de interatividade: “interativo é o deck que interage com outros decks”, ou seja, é um deck que “se importa” com o que o outro deck faz e que age de acordo com isso. Agora, minha idéia nesse artigo é expandir o conceito de interatividade.

Primeiramente, gostaria de deixar algo bem claro, todo deck razoavelmente montado tem algum tipo de interação consigo mesmo, ou seja, suas cartas interagem ainda que minimamente entre si, ou então não é um deck e sim um monte de cartas juntas.

Tendo isso em mente, acho interessante dividir a interatividade em 3 níveis (não-interativo, semi-interativo e interativo) para melhor explicação.




Não-interativo:

Um deck não-interativo é aquele que não interage com outros, ou seja, joga independentemente do que o outro fizer. Um exemplo clássico disso, são os decks de combo, que quase sempre têm as mesmas atitudes durante o jogo (buscando combar) independentemente do que o outro jogador fizer.

Outro exemplo de deck não-interativo é o famoso Burn, que embora haja muita discussão sobre ele ser combo ou aggro (devido aquele excelente artigo do Potira), ninguém duvida que se trata de um deck não-interativo, pois todas as suas cartas, sejam as mágicas ou as poucas criaturas que usa (apenas Mogg Fanático e Keldon Marauders) têm quase sempre a mesma função, não importando o que o oponente faça no turno dele.

Tenho certeza que nesse ponto surgem dúvidas do tipo: “Como assim não importa o que o oponente faça?! Se ele descer um goblin 1/1 você ataca com Keldon, mas se ele descer um Tarmogoyf 4/5, você não ataca! Então a carta é interativa, na verdade”???
Então, na verdade não é! Claro que o exemplo citado é perfeito, você geralmente não ataca com o Keldon se o oponente tiver uma criatura maior que a sua. Nesse caso ele vai servir de “chump block” apenas. Mas a questão não é essa, claro que bater 3 com o Keldon é ótimo, mas ele está no deck Burn porque entra e causa 1 e sai e causa 1, ou seja, mesmo que ele entrar apenas para bloquear e morrer ou se tomar um removal do oponente, ele cumpre seu papel. O mesmo vale pro Mogg Fanático, já que ocorra o que ocorrer você pode sacrificá-lo e causar 1 no oponente ou em alguma criatura, e é por isso que os dois são as únicas criaturas usáveis no Burn.



Semi-interativo:

Um deck semi-interativo é aquele que interage com outros, mas não de forma plena. Uma bom exemplo de deck semi-interativo são os decks aggro, que podem jogar ignorando quase tudo o que o oponente fizer (um Sligh por exemplo), mas também podem interagir com o deck adversário, como um deck de Elfo, por exemplo, que diante de um control, segura algum bixo na mão para não tomar um Cólera de Deus e perder o jogo, ou mesmo um Zoo, que guarda um Raio para matar uma criatura mais forte do oponente ao invés de jogar diretamente nele no começo do jogo.


A semi-interatividade é um conceito pessoal, tenho certeza que muitos jogadores dirão que os aggros são decks interativos, e de fato são! Mas a interatividade deles é de longe muito menor que a dos decks control, e por isso, acho essa distinção bem adequada.

Se fosse escolher um dos níveis de interatividade para aplicar a qualquer deck, eu escolheria a semi-interatividade, pois todo deck, mesmo os combos, têm um mínimo de interação com o deck adversário. Por exemplo, jogando de Fetchland Tendrils contra um Countertop, se você não tiver nenhum “chant” ou “disrupts” na mão e tentar combar, no melhor estilo “all in”, você pode até obter sucesso, mas a chance de tomar um counter e perder o jogo ali é bem grande. Por esse motivo, existe uma certa interação, ainda que seja muito reduzida, em qualquer deck.

Não obstante, ressalto que, apesar de insistir que existe uma mínima interação entre qualquer deck, acho essa divisão em 3 níveis, a mais adequada, por distinguir exatamente o quão profunda é a interação dos decks.

Interativo:

O deck interativo, obviamente, é aquele que interage com os outros, ou seja, suas ações e decisões são quase sempre determinadas de acordo com as ações do oponente. Por exemplo, num deck control, no turno do oponente, se ele fizer uma mágica, abrem-se algumas opções: anula-la (se você tiver meios); remover a criatura (se for uma criatura e você tiver meios); ignorar a mágica; etc.

Sei que é um pouco arriscado afirmar isso com certeza, mas os decks interativos são, geralmente, os mais fáceis de se cometer algum erro (embora em combos, também seja bem usual errar), devido à própria interação, já que nem sempre é possível saber se a decisão que você vai tomar naquele momento é a correta para aquela situação, por exemplo, você pode gastar um counter anulando uma criatura e em seguida o oponente descer uma mais forte (é um exemplo bem simples, mas explica perfeitamente o caso).

Os decks interativos são como um faca de dois gumes, já que a interatividade permite que você consiga lidar com vários decks diferentes, mas ao mesmo tempo prende seu jogo ao jogo do oponente (em regra, claro), é por isso que as partidas entre “mirrors” de decks control são tão chatas longas.

Interatividade entre cartas:

Esse é um outro conceito pessoal e diria um pouco complicado, por isso não vou me aprofundar demais aqui, mas gostaria de salientar que existe também a interatividade entre as cartas e não apenas entre os decks.

O conceito de interatividade aqui é o mesmo, porém a análise é diferente, uma carta interativa é aquela que interage positivamente ou negativamente com outra (geralmente do seu próprio deck, mas pode ser do deck adversário no caso da interação ser negativa ou mista).

* Interação Positiva = Benéfica para as suas cartas (Exemplo: Tritão Soberano).
* Interação Negativa = Prejudicial para as cartas do oponente (Exemplo: Máquina de Contágio).
* Interação Mista = Benéfica para as suas cartas e prejudicial para as cartas do oponente (Exemplo: Evincar Ascendente).




O mesmo conceito de interativo, semi-interativo e não-interativo se aplica também as cartas, mas para não ser repetitivo, vou apenas listar alguns exemplos:

- Carta não-interativa: Esfera de Raios.
Obs: Dispensa comentários, gerou RRR, conjura a Esfera de Raios e sai pro abraço.



- Carta semi-interativa: Companheiro do Banco de Ajani e Mantra de Ajani.
Obs: São cartas simples (nem boas e nem ruins), e podem jogar sozinhas, mas melhoram muito se combinadas (semi-interatividade).

 












- Carta interativa: Ritual Sombrio.
Obs 1: Poucos exemplos seriam tão bons quanto Ritual Sombrio (e outros geradores de mana), pois são cartas que só servem se utilizadas em conjunto com outras (nunca vi alguém fazer mana, ritual, passo).
Obs 2: Vale citar uma observação a respeito da carta Contramágica (e qualquer outro counter e cartas que “encantam/destroem/removem/afetam” algo). Elas obviamente são interativas, mas diria que são mais do que isso, são “super interativas”, porque você sequer pode joga-las sem que haja um alvo válido para elas, diferentemente, por exemplo, do Ritual Sombrio que você pode fazer sem que faça outra mágica depois, mesmo que isso não faça sentido algum, mas você pode.




O inusitado é que muitas cartas interativas são usadas em decks não interativos, como por exemplo, Ritual Sombrio em decks de combo. Por isso disse que esse tema era mais complexo, pois se você não souber distinguir “cartas interativas” de “cartas usadas em decks interativos”, você provavelmente ficará bastante confuso.



Conclusão:

Tenho certeza que nesse momento alguém se perguntou: “E de que adianta saber tudo isso”?

Bem, a teoria do Magic é algo mais chato mesmo, admito isso, mas acho que pro desenvolvimento de qualquer jogador, cedo ou tarde, ele terá que esbarrar nas regras e nos fundamentos/conceitos de jogo, porque, acreditem, isso faz muita diferença.

Saber se o seu deck e o do seu oponente, bem como as cartas, são interativos ou não influencia totalmente no seu jogo. Por exemplo, jogando de control, se um oponente faz Ritual Sombrio, você anula?! A resposta certa é depende, se ele estiver usando um deck aggro (semi-interativo) é bem provável que ele tente fazer uma criatura, nesse caso, em regra, é melhor esperar e anular a criatura (“card advantage”); porém se ele estiver jogando de combo (não-interativo), o ideal, em regra, é anular a geração de mana, porque se ele gerar determinada quantidade de mana, talvez você não consiga mais parar o combo (no caso de storm, por exemplo). Isso é conceito puro, mas influencia nas suas ações durante o jogo.

Bom, a idéia central do artigo foi dar uma nova roupagem num conceito já amplamente difundido e, claro, trazer o conceito para aqueles que não o conheciam por completo. Espero que tenha conseguido fazer isso nesse texto. Sei que ficou meio longo, mas realmente não consegui faze-lo menos extenso. Espero que gostem.

Abraços e até a próxima

Duelistaguara








3 comentários:

  1. Parabens !!!

    Muito interressante e nem um
    pouco extenso.

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  2. "Saber se o seu deck e o do seu oponente, bem como as cartas, são interativos ou não influencia totalmente no seu jogo. Por exemplo, jogando de control, se um oponente faz Ritual Sombrio, você anula?! A resposta certa é depende, se ele estiver usando um deck aggro (semi-interativo) é bem provável que ele tente fazer uma criatura, nesse caso, em regra, é melhor esperar e anular a criatura (“card advantage”)"

    Ou ainda, matar o bixo e fazer o famoso 2 por 1... Perfeito Gui, ainda mais vindo de um jogador que toda a vida vem jogado com decks que sempre interagiram com o oponente, é bacana ver o qnt vc escreve bem e o qnt evoluiu no jogo...

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  3. po parabens pelo artigo !
    mt detalhado e bem explicado
    gostei mt

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